sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Tempo e Espaço


Quer fazer uma viagem no tempo e no espaço? Então, não precisa ir longe. Basta olhar, em uma noite límpida, para um céu estrelado. Cada pontinho brilhante é a própria visão do passado, que pode ser breve ou muito remoto.


Olhar o céu noturno, com cada pontinho brilhante, é mais do que simplesmente apreciar a beleza das estrelas. É como ver uma fotografia do passado. Essa é uma idéia fascinante, quando se trona bem compreendida. É simples entender. Lembre-se de que a luz do Sol leva pouco mais de 8 minutos para chegar até a Terra, atravessando os cerca de 150 milhões de quilômetros que separam os dois corpos celestes na velocidade da luz – 300 mil Km/s no vácuo.

Sirius, umas das estrelas mais próximas a nós.
 Do mesmo modo que o Sol, cada estrela emite luz. Esta, pro sua vez, propaga-se em todas as direções pelo espaço e percorre determinada distância, maior ou menor, até ser visível na Terra. Conclui-se que o brilho dessa estrela (foto ao lado) leva 8,57 anos para chegar aqui, por exemplo. Ou seja, a luz que hoje vemos foi emitida, na verdade, cinco anos atrás.
 A situação torna-se mais interessante quando buscamos uma estrela situada a uma distância ainda maior. Se estiver a 150 anos-luz da Terra, isso significa que a luz captada agora foi emanada da estrela há 150 anos. O fato curioso é que, quando a referida estrela emitiu a luz que vemos hoje, nenhum dos mais de 6 bilhões de habitantes atuais do planeta havia nascido!

Distância galáctica


Galáxia de Andrômeda

O mesmo raciocínio pode ser aplicado às galáxias. Vizinha da Via Láctea, a galáxia de Andrômeda está localizada a cerca de 2,3 milhões de anos-luz. Portanto, a imagem captada pelos telescópios atuais  partiu de Andrômeda 2,3 milhões de anos atrás. Para comparar, essa época corresponde ao Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada, quando o homem primitivo ainda vivia em cavernas e nem havia aprendido a dominar o fogo.

Com potentes telescópios de última geração, é possível enxergar muito mais longe, a bilhões de anos luz daqui. A conclusão é que, quanto mais distante se vai na observação dos astros, mais se recua no tempo. Por isso, quando os astrônomos anunciam a descoberta de uma nova galáxia a, digamos, 10 bilhões de anos-luz da Terra, a comunidade científica entra em êxtase. Afinal, o que se vê é um momento em que o universo era muito jovem.
Logo, a pergunta que fica é: o que aconteceria se um instrumento avançadíssimo de observação conseguisse captar uma imagem muito mais distante do que a referida galáxia situada a 10 bilhões de anos-luz?
É uma resposta que os cientistas continuam buscando incessantemente, porque, a partir dela, o ser humano seria capaz de ver o retrato do universo muito próximo de sua origem, do ponto em que tudo começou, há cerca de 15 bilhões de anos, quando se estima que ocorreu o Big Bang, a chamada explosão primordial que deu início a tudo o que existe atualmente. Seria a própria viagem no tempo e espaço rumo à gênese do universo.


Série: Observando o Céu
Fonte: Atlas do Universo

Um comentário:

  1. Belo trabalho, mas será que nossa astronomia poderia sair dos livros e chegar as mentes das pessoas, como aconteceu séculos atrás? Acredito que se literaturas seculares acerca dos princípios e mecânica do espeço jamais deixarem suas línguas pátrias e forem traduzidas para o português... NUNCA daremos nosso primeiro passo. Pessoas que gostam é bem diferente de pessoas que estudam, e pessoas que praticam é bem diferente de pessoas bem informadas.

    Ou seja... Nunca o tal trabalho de Einstein em português por maaaaaaaaaaaaaaaais que seja algo complexo em espaço e tempo e finitude intelectual...

    DGSX.

    SACARAM???????????

    ResponderExcluir

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