O
primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, confirmou que seu país planeja
enviar uma missão não tripulada ao planeta Marte no próximo ano.
Base de lançamentos de foguetes na Índia - Shiharikota
Singh descreveu o projeto como
um gigantesco passo à frente para a ciência e tecnologia indianas. Segundo fontes citadas pela imprensa indiana, a
primeira missão do país asiático a Marte tem o objetivo de pôr um veículo
espacial na órbita marciana, o qual seria lançado através de um foguete já em
novembro de 2013, para obter dados do clima, da geologia, da origem, da
evolução e das condições de vida no planeta vermelho.
A estimativa é que a missão
custará mais de US$ 100 milhões (R$ 200 milhões). Até
o momento, o governo indiano já repassou US$ 2,25 milhões (R$ 4,54 milhões)
para o desenvolvimento do projeto, que está sendo desenvolvido pela Organização
Indiana de Investigação Espacial (ISRO).
Os críticos do projeto afirmam
que o governo deveria destinar os recursos ao combate da pobreza e ao
desenvolvimento da infraestrutura do país.
O anúncio foi feito no Dia da
Independência da Índia, que há 66 anos, ganhava autonomia do Reino Unido.
A sonda
espacial Cassini captou a formação de um lago rico em metano e de várias
lagoas próximas ao equador de Titan, a maior lua de Saturno. A descoberta foi
publicada na revista “Nature” nesta quarta-feira (13).
Pesquisas
anteriores já haviam indicado a presença de lagos nas regiões polares de Titan.
Mas, por muito tempo, se pensou que corpos líquidos não poderiam existir na
parte central da Lua porque a energia do Sol naquelas latitudes faria os lagos
de metano evaporarem.
Titã com anéis de Saturno ao fundo.
“Essa
descoberta foi completamente inesperada porque os lagos não são estáveis em
latitudes tropicais”, disse a cientista Caitlin Griffith, professora de Ciência
Planetária da Universidade do Arizona, que liderou a pesquisa.
Ao medir
a luz solar refletida na superfície e na atmosfera de Titan, a sonda Cassini
detectou uma região escura que, ao ser analisada com mais profundidade, sugeriu
ser a presença de um lago de hidrocarbonetos de 927 quilômetros quadrados – o
dobro do Champlain, um lago de água doce que faz fronteira entre os estados de
Nova York e Vermont, nos Estados Unidos. Perto desse lago, os cientistas
indicaram a possível presença de mais quatro lagoas rasas semelhantes em
tamanho e profundidade a pântanos existentes na Terra.
Titan é
um dos poucos corpos no sistema solar com uma atmosfera densa, formada por uma
camada de nitrogênio e metano. O gás metano na atmosfera é constantemente
quebrado pela luz do sol e cai na superfície onde é transportado de volta para
os polos, local onde se condensa para formar lagos.
Os
cientistas, no entanto, não acham que é por esse processo que as lagoas
aparecem. Em vez disso, sugerem que pode haver uma fonte subterrânea de metano
em Titan que periodicamente se abre para a superfície para formar as lagoas.
“Titan
pode ter um oásis”, disse Griffith. – Arte mostra como seria a superfície de Titã, com lagos e tempestades de metano (CH4).
O Governo
da China confirmou nesta quinta-feira (29) que em menos de cinco anos levará
pela primeira vez um veículo não-tripulado à superfície da Lua. Seria o
primeiro passo para que, mais adiante, seus astronautas pisem o satélite e o
país siga os passos dos Estados Unidos e da Rússia no caminho para ser tornar
uma nova superpotência espacial.
O
objetivo foi fixado no "Livro Branco sobre as Atividades Espaciais de
2011", um documento do Executivo chinês apresentado nesta quinta. No
texto, o Governo estabelece outras metas da corrida espacial chinesa durante o
Plano Quinquenal do período 2011-2015.
Dessa
forma, indica que o programa lunar será centrado em desenvolver com sucesso uma
tecnologia que mais tarde permita levar astronautas ao satélite. A China já
conseguiu que dois de seus satélites ('Chang'e' 1 e 2) chegassem até a órbita
lunar, em 2007 e 2010. Essas sondas, no entanto, só recolheram informações
fotográficas do satélite e estavam programadas para retornar à Terra em
seguida.
Não há
data fixa para a chegada do satélite terrestre dos primeiros 'taikonautas' (apelido
dado aos astronautas chineses, já que espaço em mandarim é
"taikong"). Levando em conta que a China parece dividir este programa
em fases de cinco anos, este fato histórico poderia ocorrer entre 2020 e 2025,
meio século depois dos Estados Unidos, o primeiro país a alcançar essa façanha.
No mesmo
anúncio, a China garantiu que aumentará o controle do lixo espacial e dos
sistemas de alarme quando esses fragmentos caírem na superfície terrestre.
Uso
militar?
Também
nesta semana, o país iniciou o funcionamento do sistema Beidou
("bússola", em mandarim), seu sistema de posicionamento alternativo
ao GPS americano. A China já lançou 10 satélites Beidou e planeja lançar outros
seis até o fim do ano que vem, de acordo com o Escritório Chinês de
Gerenciamento de Navegação de Satélites.
Diferentemente
das versões civis menos precisas disponíveis ao Exército de Libertação do Povo
(ELP, o exército chinês), essa rede dará à China a precisão para guiar mísseis,
munições inteligentes e outras armas.
"Isso
permitirá um grande salto na capacidade do ELP de realizar ataques de
precisão", disse Andrei Chang, analista das forças militares chinesas e
editor da revista Kanwa Asian Defence, de Hong Kong.
O
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país asiático, Hong Lei,
quis nesta quinta-feira responder a esses temores, assegurando em entrevista
coletiva que a China "sempre ressalta que seu objetivo é fazer uso
pacífico do espaço, e procura cooperar internacionalmente neste campo".
Em que
ponto está a China!?
O
Conselho de Estado insiste no documento que a prospecção espacial "é uma
importante parte da estratégia geral de desenvolvimento da nação" para
meia década 2011-2015, no qual a China procura seguir ascendendo em seu caminho
a ser um país desenvolvido, com a inovação tecnológica como prioridade.
China
lançou seu primeiro astronauta ao espaço em 2003 e desde então alcançou outros
objetivos, como o primeiro 'passeio' de um de seus cosmonautas fora da nave
(2008) e o primeiro acoplamento de dois veículos (no mês passado), passo-chave
para sua futura estação espacial permanente.
Para os especialistas, a China ainda está em uma
fase muito preliminar no que diz respeito às tecnologias espaciais, comparável
aos EUA e a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) nos anos
60, mas avança de forma mais rápida do que fizeram na época as duas
superpotências da Guerra Fria em sua corrida espacial.
A lua de Saturno Titã e o
exoplaneta Gliese 581g (foto) estão entre os planetas e luas mais propensos à
existência de vida extraterrestre, segundo um artigo científico publicado por
pesquisadores americanos. O estudo da Universidade de Washington criou um ranking
que ordena os planetas segundo a sua semelhança com a Terra e de acordo com
condições para abrigar outras formas de vida.
Segundo os resultados publicados na
revista acadêmica Astrobiology, a maior semelhança com a Terra foi
demonstrada por Gliese 581g, um exoplaneta - ou seja, localizado fora do
Sistema Solar - de cuja existência muitos astrônomos duvidam. Em seguida, no
mesmo critério, veio Gliese 581d, que é parte do mesmo sistema. O sistema
Gliese 581 é formado por quatro - e possivelmente cinco - planetas orbitando a
mesma estrela anã a mais de 20 anos-luz da Terra, na constelação de Libra.
Condições favoráveis
Os Rádio-telescópios são a principal ferramenta dos astronomos na busca de novos plantenas.
Um dos autores do estudo, Dirk
Schulze-Makuch, explicou que os rankings foram elaborados com base em dois
indicadores. O Índice de Similaridade com a Terra (ESI, na sigla em inglês)
ordenou os planetas e luas de acordo com a sua similaridade com o nosso
planeta, levando em conta fatores como o tamanho, a densidade e a distância de
sua estrela-mãe. Já o Índice de "Habitabilidade" Planetária (PHI,
sigla também em inglês) analisou fatores como a existência de uma superfície
rochosa ou congelada, ou de uma atmosfera ou um campo magnético.
Também foi avaliada a energia à
disposição de organismos, seja através da luz de uma estrela-mãe ou de um
processo chamado de aceleração de maré, no qual um planeta ou lua é aquecido
internamente ao interagir gravitacionalmente com um satélite. Por fim, o PHI
leva em consideração a química dos planetas, como a presença ou ausência de
elementos orgânicos, e se solventes líquidos estão disponíveis para reações
químicas.
"Habitáveis"
No critério da "habitabilidade", a lua Titã, que orbita ao redor de
Saturno, ficou em primeiro lugar, seguida da lua Europa, que orbita Marte e
Júpiter. Os cientistas acreditam que Europa contenha um oceano aquático
subterrâneo aquecido por aceleração de maré.
O estudo contribuirá para iniciativas que, nos
últimos tempos, têm reforçado a busca por vida extraterrestre. Desde que foi
lançado em órbita em 2009, o telescópio espacial Kepler, da Nasa, a agência
espacial americana, já encontrou mais de mil planetas com potencial para
abrigar formas de vida. No futuro, os cientistas creem que os telescópios sejam
capazes de identificar os chamados "bioindicadores" - indicadores da
vida, como presença de clorofila, pigmento presente nas plantas - na luz
emitida por planetas distantes.
Titã (curiosidades: há chuvas rotineiras de gás natural líquido em Titã).
Asteroides,
também chamados de pequenos planetas, são rochas que vagam pelo sistema solar.
O Cinturão de Asteroides, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter,
contém milhões deles – o mais famoso é Ceres que, com cerca de 950 km de
diâmetro, e também considerado um planeta anão, é o maior que se tem notícia.
Cintuão de Asteroides
Os astrônomos já catalogaram mais de
3 mil asteroides, entre eles Palas, Vesta e Hygiea, que possuem diâmetros
aproximadamente de 500 km. Trata-se de um trabalho importante, principalmente
porque estes corpos celestes representam um risco à vida na Terra. Por esta razão,
os asteroides que orbitam o Sol a uma distância inferior a 195 milhões de
quilômetros, ou seja, próximos às mediações terrestres, são os merecem maior
atenção por parte dos cientistas.
Marcas
de Colisão
A história do planeta guarda
diversas marcas de impactos de corpos celestes. Supõe-se que o cheque de um
asteroide na região da Península de Yucatán, no México, ocorrido há cerca de 65
milhões de anos, tenha sido responsável pela extinção dos dinossauros (ao lado provável meteorito).
Os cientistas acreditam que a Cratera
do Arizona, originada entre 10 e 5 mil anos atrás, seja fruto do choque de um asteroide
com cerca de 25 metros de diâmetro. Pode parecer, a princípio, que a colisão de
um pequeno corpo celeste na Terra não possa causar grandes danos. Mas não é bem
assim. Devido à altíssima velocidade do impacto, o choque é capaz de terremotos
e maremotos com resultados catastróficos.
Meteoroides,
Meteoros e Meteoritos
Meteoroides são fragmentos de
asteroides, cometas ou outros corpos celestes. Quando chegam à Terra
normalmente são desintegrados pelo atrito com a atmosfera. Ao queimar, geram um
raio de luz – chamado meteoro – produzindo os fenômenos conhecidos como
estrelas cadentes ou chuvas de meteoros. Caso o meteoroide não seja destruído,
pode colidir contra a superfície do planeta – trata-se do meteorito. A maior
parte dos detritos de meteoritos é composta de silicato (Al2Si2O5(OH)4).
"...fenômenos conhecidos como
estrelas cadentes ou chuvas de meteoros."
Missão
Espacial
Os astrônomos especulam que alguns
satélites planetários tenham sido originalmente asteroides capturados pelos
planetas. A primeira observação desse tipo de corpo celeste foi registrada em
1801, quando o astrônomo italiano Giuseppe Piazzi avistou Ceres. Até o final
dos anos de 1980, eles só podiam ser estudados por meio de telescópios ou
análise do impacto, em 1991, a sonda espacial Galileo, com destino a Júpiter,
fez as primeiras imagens de asteroides em alta definição.
Asteroide Ida com seu satélite Dáctilo. Imagem obtida com a Sonda Espacial Galileo.
Um
planeta recoberto por lava seca e com um campo magnético jamais visto em nenhum
outro lugar do Sistema Solar. Assim é Mercúrio, segundo dados da sonda espacial
Messenger. As primeiras análises da missão que orbita o planeta há seis meses
foram divulgadas pela revista “Science”.
Mercúrio
é o planeta mais próximo do Sol e a Messenger chegou à sua órbita em março
deste ano.
Sonda Menssenger orbitando Mercúrio
Os
primeiros dados revelam um planeta bem diferente do que os cientistas
esperavam. Sua superfície tem uma composição que não bate com a dos outros
planetas terrestres (Vênus, Marte e Terra). Por isso, os astrônomos acreditam
que suas teorias sobre a formação do planeta precisam ser revistas.
“Os
teóricos precisam voltar para a prancheta”, afirmou o autor principal de um dos
sete estudos divulgados nesta quinta, Larry Nittler, do Instituto Carnegie.
De acordo
com o líder do time de pesquisadores da sonda, resultados tão impressionantes
eram esperados.
“A
primeira espaçonave a orbitar um planeta sempre traz surpresas incríveis”,
afirma Sean Solomon. “Mercúrio não é o planeta descrito nos livros teóricos.
Embora seja um verdadeiro irmão de Vênus, Marte e Terra, o planeta tem uma vida
muito mais emocionante do que imaginava”, disse ele.
Os níveis
de enxofre e potássio na superfície, por exemplo, são bastante acima do
esperado – uma vez que são elementos que vaporizam em temperaturas relativamente
baixas e o calor em Mercúrio passa dos 400 graus Celsius durante o dia.
As
imagens da Messenger também mostraram rachaduras na superfície de até 25 km de
profundidade, por onde acredita-se ter saído ao menos parte da enorme
quantidade de lava encontrada perto do pólo norte. Pelo menos 6% de todo o
planeta é coberto por uma expessa camada de lava seca.
Fotografia de cratera em Mercúrio mostra abertura na superfície por onde
a lava (em laranja) teria sido liberada (Foto: Science/AAAS).
Uma das
descobertas que mais intrigou os cientistas diz respeito ao fraco campo
magnético encontrado pela sonda. A distribuição dele não bate com as teorias
disponíveis até agora.
Novas descobertas a respeito do Planeta Vermelho ocorrem praticamente todos os dias, mas algumas chamam mais a atenção devido ao impacto que podem ter no estudo do planeta. Em comunicado oficial, a agência espacial americana informou que estudos recentes baseado em imagens captadas pela sonda MRO apontam para a presença de água líquida na superfície do planeta.
Imagem captada pelo instrumento Hirise (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) sugerem a presença de fluxos de água na forma líquida no interior da cratera Newton, localizada nas coordenadas 41.6 S e 202.3
De acordo com o estudo, publicado esta semana na revista especializada Science, cientistas ligados à Universidade do Arizona dizem ter encontrado evidências bastante fortes de que durante os períodos de calor, entre a primavera e o verão, filetes de água fluem na superfície do planeta, deixando marcas características na paisagem marciana. Segundo o paper (trabalho científico), as marcas somem nos meses frios, entre o outono e inverno.
Segundo Alfred McEwen, principal investigador dos dados coletados pelo instrumento Hirise (High Resolution Imaging Science Experiment) junto à Universidade do Arizona, as imagens de alta resolução mostram estruturas escuras e compridas no solo marciano. “A melhor explicação apresentada até agora para essas feições é o fluxo de água salgada, que parece correr na região imageada”, afirmou o pesquisador.
No entanto, alguns aspectos das observações ainda permanecem como um quebra-cabeça para os pesquisadores, mas o provável fluxo de água salgada é a melhor alternativa entre as hipóteses apresentadas, já que a presença do sal diminui a temperatura de congelamento da água. Se a água fosse pura congelaria na temperatura marciana até mesmo no verão.
Imagens
As características imageadas pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) têm entre 50 centímetros e 5 metros de largura, com centenas de metros de comprimento e são muito mais estreitas que as feições anteriormente registradas. Além disso, em algumas localidades foram registrados mais de 1000 fluxos individuais.
Animação mostra a mesma região da cratera Newton
De acordo com os pesquisadores, as imagens mostram fluxos que se alongam e escurecem nas encostas rochosas voltadas para o equador até o início do outono. A sazonalidade, distribuição de latitude e mudanças de brilho sugerem a presença de um material volátil, mas que ainda não foi detectado diretamente.
Dados coletados nas regiões estudadas mostram que as condições climáticas são quentes demais para o congelamento do dióxido de carbono e em alguns locais, muito frias para a água pura, sugerindo portanto os efeitos da salinidade, que apresenta ponto de congelamento mais baixo.
Depósitos de sal em grandes áreas indicam que as salmouras eram abundantes no passado de Marte e observações recentes sugerem que salmouras ainda podem se formar próximas da superfície.
Perguntas
Depois que os fluxos foram observados, os pesquisadores passaram a fazer análises diretas das feições com auxílio de um espectrômetro a bordo da sonda, mas não obtiveram a assinatura química características da água. Segundo os cientistas, isso pode ser consequência de secagem rápida do material ou de sua penetração no solo.
"É importante notar que as ravinas ou canais observados nas imagens não são escuros por estarem molhados. Isso ocorre por algum outro motivo que ainda estamos estudando", explicou McEwen.
Um fluxo iniciado por água salgada poderia reorganizar grãos ou alterar a rugosidade da superfície de modo a escurecer a aparência, mas voltar a ficar claro quando a temperatura cai é mais difícil de explicar. "Isso pode ser um mistério neste momento, mas acredito que poderá ser resolvido em pouco tempo com mais observações e experimentos de laboratório", disse McEwen.
Brasileiro
Os resultados apresentados são os mais próximos de uma possível prova da existência da água líquida fluindo na superfície do planeta. Até agora, a água só havia sido detectada na forma congelada, próxima da superfície nas regiões de alta latitude.
Em 2009, com base em dados coletados pela sonda norte-americana Phoenix, o cientista brasileiro Nilton Rennó, da Universidade de Michigan, explicou como ocorre o ciclo de água no Planeta Vermelho e afirmou que a presença da água em forma líquida pode ocorrer em qualquer ponto onde a temperatura seja maior que -70 graus Celsius e exista qualquer fonte de água.
No mesmo ano, um artigo também publicado pela revista Science confirmou a existência de gelo subterrâneo na região ártica do planeta a uma profundidade de 5 centímetros e citou a tese de Rennó de que a água em forma líquida pode existir na forma de poças ou gotas, uma vez que o ponto de congelamento cai devido à grande concentração de sais.
Na mitologia grega seu nome corresponde a Cronos , o deus do tempo. Os povos antigos já haviam percebido que a trajetória desse mundo era mais lenta do que a dos outros quatro planetas conhecidos, além da Terra. Só não sabiam que isso ocorria pelo fato de estar mais afastado do Sol. Saturno é o segundo maior planeta do sistema solar e foi o mais distante a ser observado antes da invenção do telescópio. Assim como Júpiter, é uma enorme esfera gasosa que envolve um pequeno núcleo sólido. Caracteriza-se por sua coloração amarelado e por seu complexo sistema de anéis, formado por rochas, partículas de gelo e poeira cósmica. Embora pareçam uniformes quando vistas da Terra, as partículas constituintes dos anéis são independentes e com órbita própria. Outra curiosidade: é o único planeta cuja densidade é menor do que a da água. Significa que se houvesse uma piscina gigantesca Saturno boiaria em vez de afundar.
Dados básicos:
·Distância média do Sol: 1,4 bilhão de km;
·Diâmetro: 120.536 km;
· Massa: 5,688×1026 kg
· Temperatura média na superfície: -180ºC
·Rotação: 10h e 39min;
·Translação: 29,4 anos;
·Satélites: 61 ( Titã é o mais conhecido)
Saturno é umplaneta gasoso, principalmente composto dehidrogênio(97%), com uma pequena proporção dehélioe outros elementos. Seu interior consiste de um pequeno núcleo rochoso e gelo, cercado por uma espessa camada de hidrogênio metálico e uma camada externa de gases.A atmosfera externa tem uma aparência suave, embora a velocidade do vento em Saturno possa chegar a 1.800 km/h, significativamente tão rápido como os de Júpiter, mas não tão rápidos como os deNetuno. Saturno tem um campo magnético planetário intermediário entre as forças da Terra e o poderoso campo ao redor de Júpiter.
Omovimento de rotaçãoem volta do seu eixo demora cerca de 10,5 horas, e cada revolução ao redor doSolleva 29 anos terrestres.
Tem um número elevado desatélites, 61 descobertos até então, e está cercado por um complexo deanéisconcêntricos, composto por dezenas de anéis individuais separados por intervalos, estando o mais exterior destes situado a 138 000 km do centro do planeta geralmente compostos por restos de meteoros ecristaisdegelo. Alguns deles têm o tamanho de umacasa.
Origem do nome
Devido à sua posição orbital mais distante queJúpiterosantigos romanoso outorgaram o nome do pai do deusJúpiterao planeta Saturno. Na mitologia romana,Saturnoera equivalente deCronos, antigotitãdamitologia grega. Cronos era filho deUranoeGaiae governava o mundo dos deuses e dos homens devorando seus filhos ao nascerem por que uma profecia dizia que seus filhos o destronariam. Zeus, conseguiu se esquivar deste destino e derrotou seu pai convertendo-se no deus supremo.
Saturno também já foi denominado pelos astrônomos gregos de "Khronos". Era a divindade celeste mais distante, e era considerada como sendo o sétimo dos sete objetos divinos visíveis a olho nu. Como possui a maior translação observável, cerca de 30 anos, os astrônomos gregos e romanos julgaram tratar-se do guardião dos tempos, ou "Pai do Tempo"
Características
Saturno é um planeta visivelmente achatado em seus polos formando a figura de uma esfera oval. Os diâmetros equatorial e polar são respectivamente 120 536 e 108 728 km. Este efeito é produzido pela rápida rotação do planeta, sua natureza liquida e relativamente a sua baixa gravidade. Os outros planetas gigantes são também ovalados, porém não em tamanha proporção. Saturno possui uma densidade específica de 690 kg/m³ sendo o único planeta doSistema Solarcom uma densidade inferior a da água (1000 kg/m³). Se existisse umoceanogrande o bastante para cabê-lo, Saturno flutuaria nele.O planeta é formado por 90% dehidrogênioe 5% dehélio. O volume do planeta é suficiente para conter 740 vezes a Terra, porém sua massa é apenas 95 vezes a terrestre, devido à sua mencionada densidade média relativa.
O período de rotação de Saturno é incerto, uma vez que não possui superfície e sua atmosfera gira com um período distinto em cada latitude. Desde a época daVoyagerse considerava que o período de rotação de Saturno, baseando-se na periodicidade de sinais de rádio emitidas por ele, era de 10h39min 22,4 s (810,8°/dia). As missões espaciaisUlysseseCassinitem mostrado que este período de emissão em rádio varia no tempo, sendo atualmente: 10 h 45 m 45 s (± 36 s). As causas destas mudanças no período de rotação não são conhecidas e se considera que ambos períodos são uma aproximação do período de rotação do seu interior.
Estrutura Interna
O interior do planeta é semelhante ao deJúpiter, com um núcleo sólido em seu interior. Sobre ele se estende uma extensa camada de hidrogeno líquido e metálico (devido ao efeitos das elevadas pressões e temperaturas). A superfície de 30.000 km do planeta é formada por uma extensa atmosfera de hidrogénio e hélio. O interior do planeta é formado por materiais gelados durante sua formação ou que se encontra em estado líquido nas condições de pressão e temperatura próximas ao núcleo. No núcleo pode-se encontrar temperaturas em torno a 12.000K(aproximadamente o dobro da temperatura na superfície doSol). Porém são semelhantes a Júpiter eNetuno, Saturno irradia mais calor a superfície do que recebe doSol. A maior parte desta energia é produzida por uma lenta contração do planeta que libera a energia gravitacional produzida durante a compressão. Este mecanismo se denomina mecanismo de Kelvin-Helmholtz. No entanto, não parece ser o único responsável pela fonte de calor interna de Saturno. Provavelmente o calor extra gerado se produz em uma separação de fases entre ohidrogênioe o hélio atmosférico que se separam na zona inferior da atmosfera, concentrando-se em gotas que precipitam em chuva sobre o interior do planeta liberandoenergia gravitacionalem forma decalor.
Atmosfera
A atmosfera de Saturno tem um padrão de faixas escuras e claras, similares as deJúpiterembora a distinção entre ambas esteja muito menos nítida no caso de Saturno. A atmosfera planetária tem ventos fortes, na direção dos paralelos, alterando-se conforme a latitude e altamente simétricas em ambos os hemisférios, apesar do efeito estacionário da inclinação do eixo do planeta. O vento é dominado por uma corrente equatorial intensa e larga no nível da altura das nuvens que chegaram a alcançar velocidades de até 450 m/s durante a passagem da Voyager. A atmosfera de Saturno contém principalmente os gases: Hidrogênio, hélio e metano.
As nuvens superiores são formadas provavelmente por cristais deamônia. Neles uma névoa uniforme parece estender sobre todo o planeta, produzido por fenômenos fotoquímicos na atmosfera superior (cerca de 10a mbar). Em níveis mais profundos (perto de 10 bar de pressão) a água da atmosfera condensa-se provavelmente em uma camada da nuvem de água que não poderia ter sido observada.
As regiões polares apresentam correntes a 78ºN e a 78ºS. As sondasVoyagerdetectaram nos anos 1980 um padrão sextavado na região polar norte que foi observado também pelotelescópio espacial Hubbledurante os anos 1990. As imagens mais recentes obtidas pela sondaCassinimostraram o vértice polar com detalhe. Saturno é o único planeta conhecido que tem um vértice polar destas características embora os vértices polares sejam comuns nas atmosferas daTerraou deVénus.
No caso do hexágono de Saturno, os lados têm aproximadamente 13.800 km no comprimento (maior que o diâmetro da terra) e na estrutura, com um período idêntico a sua rotação planetária, é uma onda reta que não muda de comprimento e nem estrutura, diferentemente das demais nuvens da atmosfera. Este formato em polígono, entre dois e seis lados, podem ser simulados em laboratório por meio dos modelos do líquido na rotação da escala.
No contrário do pólo norte, as imagens do pólo sul mostra uma forte corrente, sem a presença de vértices ou formas sextavadas persistentes.No entanto, aNASAinformou em novembro do2006que a sondaCassinitem observado umcicloneno pólo sul, com um centro bem definido.Os únicos centros de furacões definidos tinham sido observados na terra (nem mesmo foi observado dentro dagrande mancha vermelhade Júpiter pela sondaGalileo).Esse vértice de aproximadamente 8000 km de diâmetro, poderia ter sido fotografado e estudado com detalhe pela sonda Cassini, sendo ventos moderados de mais de 500 quilômetros por hora.A atmosfera superior nas regiões polares desenvolve fenômenos de auroraspela interação docampo magnéticoplanetário com ovento solar.
Campo Magnético
Ocampo magnéticode Saturno é muito mais fraco que o deJúpiter, e suamagnetosferaé um terço da de Júpiter. A magnetosfera de Saturno consiste em um conjunto de cinturões de radiação. Esses cinturões estendem por aproximadamente 2 milhões de quilômetros do centro de Saturno, principalmente, no sentido oposto doSol, embora o tamanho da magnetosfera varie dependendo da intensidade do vento solar (o fluxo do sol de partículas carregadas). O vento solar, os satélites e o anel de Saturno fornecem as partículas elétricas para o cinturão. O período de rotação em 10 horas, 39 minutos e 25 segundos do interior de Saturno foi medido pelaVoyager 1quando cruzou a magnetosfera, que gira em forma assíncrona com o interior de Saturno. A magnetosfera interage com a ionosfera, a camada superior da atmosfera de Saturno, causando emissões de auroras deradiação ultravioleta.
Nas proximidades da órbita deTitãe estendendo até a órbita deReia, se encontra uma grande nuvem de átomos do hidrogênio neutro. Como um discoplasma, composto do hidrogênio e possivelmente de íons de oxigênio, estendendo da órbita deTétisaté as proximidades da órbita de Titã. O plasma gira em quase perfeitamente assíncrona com o campo magnético de Saturno.
Visão de Saturno de Titã, satélite que talvez abrigue vida
Órbita
Saturno gira em torno doSolem uma distância media de 1.418 milhões de quilômetros em uma órbita de excentricidade 0.056, com umafélioa 1.500 milhões quilômetros e operiélioa 1.240 milhões quilômetros. Saturno esteve no periélio em 1974. O período da translação em torno do sol completa a cada 29 anos e 167 dias, visto que seuPeríodo sinódicose realiza de 378 dias, de modo que, a cada ano a oposição ocorre com quase duas semanas de atraso em relação ao ano anterior. O período de rotação em seu eixo é curto, de 10 horas, 14 minutos, com algumas variações entre o equador e os pólos.
Os elementos orbitais de Saturno são alterados em uma escala de 900 anos por uma ressonância orbital do tipo de 5:2 com o planeta Júpiter, batizado pelos astrônomos franceses doséculo XVIIIcomo agrand inégalité("grande desigualdade"), Júpiter completa 5 retornos para cada 2 de Saturno. Os planetas não estão em uma ressonância perfeita, mas são suficientemente próximo de modo que os distúrbios de suas órbitas sejam apreciáveis.
Anéis de Saturno
Os anéis de Saturno são constituídos essencialmente por uma mistura de gelo, poeiras e material rochoso. Se estendem a cerca de 280 mil quilômetros de diâmetro, não ultrapassam 1,5 km de espessura. A origem dos anéis é desconhecida. Originalmente pensou-se que teriam tido origem na formação dos planetas há cerca de 4 bilhões de anos, mas estudos recentes apontam para que sejam mais novos, tendo apenas algumas centenas de milhões de anos. Alguns cientistas acreditam que os anéis se formaram a partir de uma colisão que ocorreu perto do planeta ou com o planeta. Pensa-se que os anéis de Saturno desaparecerão um dia, cerca de 100 milhões de anos, pois vão sendo lentamente puxados para o planeta. Os anéis podem mudar de cor.
Foto tirada da Cassini
Satélites
Saturno tem um grande número de satélites ou luas. Os seus maiores satélites, conhecidos antes do começo da exploração espacial, são:Mimas,Encélado,Tétis,Dione,Reia,Titã,Hipérion,JápetoeFebe. O maior desses satélites naturais é Titã, que tem o diâmetro de 5280 quilômetros (maior que o Planeta Mercúrio).
EncéladoeTitãsão mundos especialmente interessantes para os cientistas planetários, primeiramente pela existência de água líquida a pouca profundidade de sua superfície, com a emissão de vapor da águageyser. Em segundo porque possui uma atmosfera rica do metano, bem similar a da terra primitiva.
O sistema de satélites maiores de Saturno, que vai atéJápeto, se espalha por cerca de 3,5 milhões de km, enquantoFebe, um satélite menor, faz parte de um sistema de satélites irregulares externos e se localizam a cerca de 12,9 milhões de km do planeta.
Satélites de Saturno. Em primeiro plano, Titã, o maior deles.
Exploração Espacial em Saturno
Visto daterra, Saturno aparece como um objeto amarelado, um dos mais brilhantes no céu noturno. Observado através detelescópio, o anel A e o B são vistos facilmente, no entanto, os anéis D e E são vistos somente em ótimas condições atmosféricas. Com telescópios de grande sensibilidade situados naTerrapode distinguir a névoa gasosa que envolve Saturno, dos pálidos cinturões e das estruturas de faixas paralelas aoequador.
Três naves espaciais norte-americanas ampliaram enormemente o conhecimento do sistema de Saturno: a sondaPionner 11, aVoyager 1e a2, que sobrevoaram o planeta em setembro1979, novembro de1980e em agosto de1981, respectivamente. Estas naves espaciais levaram câmeras e instrumentos para analisar as intensidades e as polarizações das radiações nas regiões visíveis, ultravioletas, infravermelhas e do spectrum eletromagnético. Foram equipados também com instrumentos para o estudo dos campos magnéticos e para a detecção de partículas carregadas e grãos da poeira interplanetária.
Sonda espacial Cassini
Em outubro de1997foi lançada a sonda espacialCassini, com destino a Saturno, que incluiu também a sondaHuygenspara explorarTitã, uma das luas do planeta. Sendo um projeto de grande interesse daNASAem colaboração com aAgência Espacial Europeiae aAgência Espacial Italiana. Após uma viagem de quase sete anos, está previsto que aCassinirecolha dados em Saturno e em seus satélites durante quatro anos. Em outubro de2002a sonda obteve sua primeira fotografia do planeta, tomada a uma distância de 285 milhões quilômetros, na qual aparece tambémTitã. Em junho de2004a Cassini voou sobreFebe, outro satélite de Saturno (o mais afastado), obtendo imagens espetaculares de sua superfície, repleta de crateras. Em julho do mesmo ano, a sonda entrou na órbita de Saturno. Em janeiro de2005a sonda Huygens cruzou a atmosfera deTitãe alcançou sua superfície, enviando dados para terra e imagens do interessante satélite.
Sonda espacial Voyager 1
Datas importantes na observação e na exploração de Saturno:
1610-Galileu Galileiobserva através de seu telescópio o anel de Saturno.
1655- Titã foi descoberto pelo astrônomo holandêsChristiaan Huygens.
1659- Huygens observa com maior claridade os anéis de Saturno e descreve sua verdadeira aparência.
1789- As luasMimaseEncéladosão descobertas porWilliam Herschel.
1980- Acelerada pelo campo gravitacional de Júpiter, a sondaVoyager 1alcança Saturno em12 de novembroa uma distância de 124.200 quilômetros. Nesta ocasião descobriu estruturas complexas no sistema de anéis do planeta e obteve dados daatmosferade Saturno e sua maiorlua,Titãa uma distância de menos de 6500 quilômetros.
1982- A sondaVoyager 2aproxima-se de Saturno.
2004- Asonda Cassini-Huygensalcança Saturno. Transformando-se no primeiro veículo espacial a orbitar o planeta distante e em aproximar-se de seus anéis. A missão está programada para concluir no final do ano2009.