segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Nuvem de Oort - O Berçário de Cometas

          A nuvem de Oort é uma grande concentração de cometas que se acredita existirem no limite do sistema solar, a uma distância aproximada de 100.000 UA (UA significa unidade astronômica e corresponde a 149.598.000 Km ou a distância média entre a Terra e o Sol). Estatisticamente calcula-se que existam entre um e cem bilhões de cometas.


Sua existência foi inicialmente postulada, em 1932, pelo astrônomo, nascido na Estônia, chamado Ernst Öpik, que propôs que os cometas irregulares provinham de uma extensa nuvem de material nas fronteiras do Sistema Solar.

Jan Oort (1900 – 1992)
 Em 1950, esta idéia foi retomada pelo astrônomo holandês Jan Oort para explicar a persistência dos cometas. Oort foi capaz de estudar a órbita de 19 cometas e pesquisar de onde vinham. A nuvem de Oort explica elegantemente um antigo aparente paradoxo. Se os cometas são destruídos quando se aproximam do Sol, já deveriam ter sido totalmente destruídos durante a história do Sistema Solar. A nuvem de Oort proporciona uma fonte contínua de material cometário que substitui os cometas destruídos.
O efeito gravitacional das estrelas próximas desvia os cometas de suas órbitas e os envia em direção ao Sol, onde se tornam visíveis.
As teorias mais aceitas sobre a formação do Sistema Solar consideram que os cometas se formaram muito mais proximamente ao Sol como parte do mesmo processo que formou os planetas e os asteróides. Os cometas na nuvem de Oort seriam ejetados, nesta etapa primitiva, dada a proximidade com planetas gigantes em formação, especialmente o jovem Júpiter. Tal proximidade expulsou gravitacionalmente estes corpos em órbitas extremadamente elípticas e de grande inclinação explicando, portanto, a distribuição esférica dos cometas. Com o passar do tempo, a interação gravitacional dos cometas e das estrelas longínquas contribuiu para circularizar suas órbitas. A partir desta teoria, estima-se que a massa total dos cometas na nuvem de Oort pôde ter sido, em sua origem, 40 vezes a massa da Terra.
Os objetos da nuvem de Oort são tão longínquos que, até agora, só foi descoberto um possível candidato a fazer parte dela, seu nome é 2003 VB12 (Sedna), descoberto em março de 2004 por astrônomos de Caltech e da Universidade de Yale. Sedna possui uma órbita elíptica de 76 a 850 UA, muito mais próxima do que se esperava, fato que poderia torná-lo um membro de uma nuvem interna de Oort.

O berçário dos Cometas

 Os cometas aterrorizaram gerações e gerações de pessoas ao longo de vários séculos. As “estrelas” com cauda que cruzavam os céus deram origem a muitas crenças e profecias, que ainda hoje se praticam nalgumas seitas religiosas.
Na verdade, os comentas são pequenas rochas poeirentas, geladas, que na sua maioria se encontram na colossal Nuvem de Oort, embora tenhamos alguns bem mais próximos de nós no Sistema Solar. As suas orbitas são extremamente ovais: passam perto do Sol e depois afastam-se por milhões e biliões de quilómetros. É quando passam mais perto do Sol, que se formam as duas caudas do cometa, resultantes da evaporação da superfície do cometa, soprada pelo Sol. Por esse motivo, ambas as caudas apontam sempre para o lado oposto do Sol.
Por sua vez, a Nuvem de Oort, onde se acreditam estarem “armazenados” mais de 1 trilião de cometas, é uma gigantesca esfera que se situa no limite da força gravitacional do Sol – ou seja, demarcam o fim do nosso Sistema Solar – 100 mil vezes mais distantes do Sol do que a Terra.
Quando uma estrela passa relativamente perto da Nuvem de Oort, “empurra” alguns destes cometas em direcção ao Sol, e consequentemente em direcção à Terra – não literalmente, embora numa coincidência, possa mesmo acontecer. Estes cometas, chamados de cometas de longo período, podem demorar 30 milhões de anos a completar a sua orbita, ou seja, se virmos um destes, só daqui a 30 milhões de anos as pessoas que cá estiverem o poderão voltar a ver. Em contraste, os cometas de curto período, como o Halley, demoram menos de 200 anos a reaparecerem perto de nós.

Nuvem de Oort interior?

            Os investigadores sugerem que a origem desta Nuvem de Oort interior é a mesma que a da Nuvem de Oort exterior. No início da história do Sistema Solar, depois da formação dos planetas, sobrou material que ficou a orbitar o Sol sob a forma de pequenos corpos. Quando estes pequenos corpos se aproximavam dos planetas gigantes, eram lançados para fora do Sistema Solar; muitos teriam sido ejectados para o espaço interestelar, mas alguns estabeleceram-se na Nuvem de Oort, a orbitar o Sol a uma distância enorme. A Nuvem de Oort interior teria se formado do mesmo modo, mas a influência de estrelas vizinhas aproximou os pequenos corpos. A existência da Nuvem de Oort interior é um forte argumento a favor do Sol ter nascido num agrupamento coeso de estrelas.

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