domingo, 30 de junho de 2013

Estudo revela novos dados sobre funcionamento dos buracos negros


O Observatório Austral Europeu (ESO, na sigla em inglês) anunciou nesta quinta-feira a descoberta de um buraco negro no qual parte do pó circundante é repelido em forma de ventos frios, o que põe em xeque as atuais teorias e revela como estas regiões evoluem e interagem com seu entorno.

Com a ajuda do telescópio VLT do ESO, situado no deserto de Atacama (Chile), uma equipe de cientistas pôde observar que o pó que rodeia o gigantesco buraco negro do centro de uma galáxia ativa não se encontra sozinho nessa área circundante como era de se esperar, mas que parte do mesmo é repelido e se encontra em cima e embaixo dela.

Ao longo dos últimos 20 anos, os astrônomos do ESO descobriram que quase todas as galáxias têm um enorme buraco negro em seu centro, alguns dos quais crescem atraindo matéria de seu entorno e criam, durante o processo, o objeto de maior energia do universo: os núcleos de galáxias ativos (AGN, em inglês).

As regiões interiores destas brilhantes regiões são rodeadas por um anel em forma de rosca composto de pó cósmico arrastado do espaço circundante, algo similar ao que acontece quando a água forma um pequeno redemoinho ao redor de um ralo. Até agora, os cientistas achavam que a maior parte da forte radiação infravermelha que provinha dos AGN se originava nessa área.

Como explica o autor principal do artigo que apresenta estes novos resultados, Sebastian Hönig, se trata da primeira vez que se pôde combinar observações detalhadas no infravermelho médio do pó frio que rodeia um AGN, com observações de quase mesma precisão do pó muito quente.

O pó recentemente descoberto forma uma corrente de vento frio que sai do buraco negro e que, supõem, deve ter um papel importante na complexa relação existente entre o buraco negro e seu entorno.

O buraco negro satisfaz seu insaciável apetite se alimentando do material circundante, mas a intensa radiação que este processo produz também parece estar expulsando material, embora não seja muito clara a forma como estes dois processos se juntam para permitir que os buracos negros supermassivos cresçam e evoluam no interior das galáxias.

O passo seguinte, disse Hönig, é a colocação em funcionamento do Matisse, um instrumento de segunda geração que permitirá combinar os Telescópios Unitários do VLT de uma vez só e observar simultaneamente o infravermelho próximo e o infravermelho médio, proporcionando assim dados muito mais detalhados.


Fonte: Terra


Nasa divulga imagem de interação entre galáxias


A agência espacial americana divulgou uma imagem capturada pelo telescópio espacial Hubble que mostra a interação entre duas galáxias. As dupla, conhecida como Arp 142, é formada pelas galáxias NGC 2936 e pela NGC 2937 e fica na constelação de Hydra.


A galáxia que lembra o formato de um pássaro era originalmente uma galáxia em espiral comum, mas ganhou esse formato por causa da interação com a galáxia que está ao lado. 

domingo, 16 de junho de 2013

Pela primeira vez, espaçonave da Nasa será reutilizável

Desde que aposentou os ônibus espaciais, em 2011, a Nasa - agência espacial americana - tem sido obrigada a alugar a estrutura da Rússia para levar seus astronautas ao espaço. No entanto, os Estados Unidos ter suas próprias naves espaciais funcionando novamente em breve. 
Versão de testes da Orion é apresentada pela Nasa no Centro Espacial John F. Kennedy.
Chamado de Orion, o novo veículo será capaz de transportar astronautas até a órbita da Terra, à Lua, as asteroides e, eventualmente, até Marte. 

Apesar de ter um formato semelhante ao das cápsulas da missão Apollo, a nova espaçonave é uma máquina completamente redesenhada. Diferente dos veículos desenvolvidos anteriormente, a Orion - cujo primeiro voo está previsto para 2017 - pode ser reaproveitada. Ela consiste em três seções básicas: um módulo para a tripulação, um módulo de serviço e um sistema para abortar o lançamento. Um poderoso novo foguete será responsável por levar a Orion para o espaço. 

É o módulo destinado aos astronautas, em particular, que poderá ser reciclado para utilização em várias viagens espaciais. Tornar uma nave reutilizável não é uma tarefa fácil: desde a chegada do homem à Lua na missão Apollo 11, a maior parte dos veículos espaciais tripulados conseguiu retornar com segurança à Terra ao pousar no oceano. Ainda que sejam mais fáceis, do ponto de vista da engenharia - já que a cápsula em queda não precisa desacelerar tanto para um impacto na água e dispositivos de amortecimento são dispensáveis -, esse tipo de aterrissagem também é mais caro, uma vez que a água salgada costuma destruir a parte eletrônica da nave. 

Com essa inovação, a espaçonave Orion terá um custo de operação menor a longo prazo. 


Fonte: Terra

Hubble pode ter descoberto planeta que "não deveria existir"

Astrônomos descobriram com o uso do telescópio Hubble evidências da formação de um planeta a 12 bilhões de quilômetros de sua estrela, o que desafia uma das teorias mais aceitas, afirma a Nasa - a agência espacial americana. 
Imagem mostra a distância da falha ("gap"), onde estaria o planeta, de sua estrela, no centro.
O estudo foi divulgado na publicação especializada The Astrophysical Journal nesta sexta-feira. 

Já foram descobertos mais de 900 planetas fora do Sistema Solar, mas este é o primeiro encontrado tão distante de sua estrela. Para se ter ideia, ele orbita a anã vermelha TW Hydrae, que fica a 176 anos-luz da Terra, a cerca do dobro da distância de Plutão em relação ao Sol. 

Com o uso do Hubble, os astrônomos encontraram uma falha de 1,9 bilhão de quilômetros de diâmetro no disco protoplanetário de gás e poeira que fica ao redor da estrela e tem cerca de 66 bilhões de quilômetros. É esse buraco que indica que existe um planeta ali e que teria se formado pela aglutinação do material ao seu redor, o que deixou o vazio no disco. 

Conforme uma das teorias mais aceitas, um planeta a 12 bilhões de quilômetros de seu sol deveria levar 2 bilhões de anos para se formar. O problema é que TW Hydrae tem apenas 8 milhões de anos - ele dificilmente teria planetas, segundo essa proposição. Complica ainda mais o dado que indica que essa estrela tem apenas 55% da massa do nosso Sol. 

"É tão intrigante ver um sistema como esse", diz John Debes, do Instituto Space Telescope Science, nos Estados Unidos, e líder do estudo. "Esta é a estrela com menor massa que observamos a ter esse tipo de falha." 

Uma teoria alternativa pode explicar o que acontece no sistema. O disco poderia se tornar gravitacionalmente instável e colapsar, o que, segundo este cenário, levaria a uma formação rápida de um planeta - em "apenas" milhares de anos. 

"Se conseguirmos realmente confirmar que há um planeta ali, nós poderíamos conectar suas características com as propriedades da falha", diz Debes. "Isso pode adicionar teorias de formação planetária para (entendermos) como realmente um planeta se forma a uma longa distância (de sua estrela).". 



Fonte: Terra

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Sulcos em Marte são marcas de 'tobogãs' de gelo seco, dizem cientistas



Um estudo divulgado em uma publicação científica sugere que algumas ranhuras longas e finas encontradas em pontos da superfície de Marte podem ter sido feitas não por água, mas por blocos de dióxido de carbono congelado, também conhecido como gelo seco.

De acordo com a hipótese dos cientistas, os blocos deslizariam pelas dunas de areia de Marte sobre "almofadas" de gás de dióxido de carbono, como se fossem tobogãs.
Pedaços de gelo seco podem ter deslizado pelas dunas marcianas causando sulcos na superfície do planeta

Essas marcas estudadas pelos cientistas, chamadas por eles de sulcos lineares, têm uma extensão que varia entre algumas centenas de metros até 2,5 quilômetros.

A hipótese, divulgada na publicação científica Icarus, foi formulada após a análise de imagens da Mars Reconnaissance Orbiter, a sonda da Nasa que busca provas da existência de água em Marte.

Testes

As marcas estavam nas dunas que são cobertas por geada de gelo seco. Durante o inverno no polo sul do Planeta Vermelho, essa camada de gelo seco que pode chegar a um metro de profundidade.
Na primavera, esta camada é sublimada, passando diretamente do estado sólido para o gasoso.

"Os sulcos lineares não se parecem com sulcos na Terra ou outros sulcos em Marte, e este processo não aconteceria na Terra", explicou Serina Diniega, cientista planetária do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa na Cafifórnia e um dos autores da pesquisa.

Para testar a hipótese e constatar se o gelo seco pode deixar este tipo de fissuras, os cientistas pegaram blocos de gelo seco e os fizeram deslizar por dunas de areia nos Estados americanos de Utah e da Califórnia.

Os testes realizados no deserto mostraram que os blocos de gelo repartiram a areia, deixando marcas enquanto deslizavam pelas dunas.

Apesar de esta experiência não levar em conta a pressão e a temperatura de Marte, os pesquisadores acreditam que os blocos de gelo poderiam se comportar de forma semelhante em Marte.

Além disso, os cientistas acreditam que os sulcos marcianos seriam diferentes se tivessem sido criados por água. Nesse caso, a água carrega "sedimentos pela colina abaixo, e o material erodido do topo é levado para o fundo e depositado em (uma formação) com o formato de um leque", afirmou Diniega.

"Com os sulcos lineares, você não está transportando material. Você está esculpindo uma ranhura, empurrando o material para os lados", acrescentou.

Diferentes sulcos

Outra autora do estudo, Candice Hansen, do Instituto de Ciência Planetária da cidade de Tucson, no Estado americano do Arizona, afirmou que as ranhuras pesquisadas são únicas - e podem ser confundidas com outras encontradas no próprio planeta.

"A Mars Reconnaisance Orbirter está mostrando que Marte é um planeta muito ativo. Alguns dos processos que observamos em Marte são parecidos com os processos da Terra, mas este está na categoria dos (processos) exclusivos de Marte."

"Existe uma variedade de características em Marte que, às vezes, são colocadas juntas como 'sulcos', mas elas são formadas por processos diferentes", acrescentou.
"E apenas pelo fato de esta hipótese do gelo seco parecer uma boa explicação para um tipo (de sulco), não significa que possa ser aplicada para outras", disse.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Astrônomos descobrem fábrica de cometas a 400 anos-luz da Terra

Um grupo internacional de astrônomos encerrou parte do mistério que envolve a formação de corpos celestes ao descobrir uma "fábrica" de cometas ao redor de uma estrela a 400 anos-luz de distância da Terra.

Eles identificaram, pela primeira vez, uma armadilha de poeira, região na qual os pequenos grãos ficam 'presos' para se aglutinarem uns aos os outros, permitindo que eles cresçam em segurança até ficarem do tamanho de pedregulhos. Esse porto seguro de partículas de poeira só era conhecido na teoria, ressalta o estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira (6).

Durante o estudo do disco de gás ao redor da estrela Oph-IRS 48, a equipe liderada por Nienke van der Marel, do Observatório de Leiden, na Holanda, observou com ajuda do ALMA (Grande Conjunto de Radiotelescópios do Atacama), o maior telescópio astronômico do mundo, que a poeira na órbita do sistema estelar tinha um formato diferente, mais parecido com uma castanha de caju do que de disco.
Astrônomos descobriram uma fábrica de cometas a 400 anos-luz de distância da Terra, encerrando um mistério da formação de corpos celestes. Durante o estudo do disco de gás ao redor da estrela Oph-IRS 48, o grupo de Nienke van der Marel, do Observatório de Leiden, na Holanda, observou que a poeira na órbita do sistema estelar tinha um formato diferente, mais parecido com uma castanha de caju do que de disco. Foi aí que eles perceberam que se tratava de "armadilha de poeira", região na qual os grãos ficam 'presos' para se aglutinarem uns aos os outros e crescerem em segurança, sem que fiquem estilhaçados após o choque. "Provavelmente estamos vendo um tipo de fábrica de cometas, já que as condições são propícias aos crescimento das partículas, desde o milímetro até ao tamanho de cometas", explica a autora no artigo publicado na Science

"Provavelmente estamos vendo [nessa região] um tipo de fábrica de cometas, já que as condições são propícias aos crescimento das partículas, desde o milímetro até ao tamanho de cometas", explica a autora.

Uma armadilha de poeira surge quando as partículas de poeira grandes se movem em direção a regiões de alta pressão. Os modelos teóricos apontam que esses lugares de alta pressão podem ter origem nos movimentos do gás situado na periferia de um disco de gás, assim como ocorre neste sistema estelar.

"Não é provável que a poeira dê origem a planetas a esta distância da estrela. Mas em um futuro muito próximo, o telescópio ALMA será capaz de observar estas armadilhas de poeira muito mais próximas das estrelas progenitoras, onde esses fenômenos estão ocorrendo. Tais locais seriam efetivamente os berços de planetas recém nascidos", conclui Nienke.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

China enviará missão espacial tripulada em junho



A China lançará em meados deste mês uma nave espacial tripulada que se acoplará a um módulo experimental, última etapa da construção de uma estação espacial chinesa permanente, informou nesta segunda-feira a agência de notícias estatal Xinhua.

De acordo com o porta-voz do programa espacial do país, a nave se acoplará ao laboratório espacial Tiangong-1 (Palácio Celestial). Trata-se de uma etapa crucial para a obtenção da estação espacial permanente.

A capacidade espacial da China é inferior à dos EUA e da Rússia, mas o ambicioso programa do país inclui planos de enviar um homem à lua e construir, até 2020, uma estação que gire em torno da Terra, informa um documento oficial.

A China lançou em 2012 a nave espacial Shenzhou IX na missão mais ambiciosa de sua história, com três astronautas, entre eles Liu Yang, a primeira mulher chinesa ao viajar para o espaço.

Pequim realizou seu primeiro voo espacial tripulado em outubro de 2003. 

Agência Europeia comemora 10 anos da sonda que mapeia Marte

A sonda europeia Mars Express, lançada há dez anos, permitiu concluir quase totalmente o mapa global da superfície do planeta Marte. Para celebrar, o feito a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) promove nesta segunda-feira (3) uma entrevista coletiva em seu centro de controle de operações na cidade de Darmstadt, no oeste da Alemanha.
A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) liberou novas imagens que traçam a história da água e da atividade vulcânica em Marte, em comemoração dos dez anos do lançamento da sonda Mars Express

Durante estes dez anos a Câmera Estereofônica de Alta Resolução (HRSC) tirou as fotografias que estão captando a superfície de Marte em cor, em três dimensões e com uma resolução de cerca de 10 metros por pixel.

A Mars Express girou, nestes dez anos, 12 mil vezes ao redor de Marte para fotografar seus rios de lava e seus vales. Da superfície total de Marte de 145 milhões de quilômetros quadrados já foram feitas 97 milhões de fotos com uma resolução muito boa.

A sonda espacial Mars Express descobriu, por exemplo, que Marte teve água sob sua superfície durante os primeiros bilhões de anos de sua história.

Astronômos captam luz do exoplaneta mais leve já identificado

Graças ao VLT (Very Large Telescope), do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), astrônomos conseguiram coletar a luz do que eles acreditam ser o exoplaneta mais leve já observado diretamente.
Astrônomos identificaram de forma direta o planeta mais leve fora do Sistema Solar, segundo o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). Graças ao Very Large Telescope, o grupo captou a luz tênue do exoplaneta (ponto azul à esquerda) orbitando ao redor da jovem estrela HD95086, localizada a cerca de 300 anos-luz de distância da Terra. O brilho indica que o corpo recém descoberto tem um massa de apenas quatro a cinco vezes a de Júpiter

A massa deste gigante gasoso seria entre quatro e cinco vezes menor do que a de Júpiter, 
indicou o ESO em um comunicado nesta segunda-feira (3). Este seria o planeta menos massivo localizado fora do nosso sistema solar e descoberto através da observação de imagens diretas. Um exoplaneta é um planeta que orbita uma estrela como a do nosso Sol, mas fora do Sistema Solar.

"A imagem direta de planetas é uma técnica extremamente difícil, cuja implementação requer o uso dos instrumentos mais avançados", explicou Julien Rameau, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, da França, principal autor do estudo publicado na revista especializada Astrophysical Journal Letters

"Quanto menos massivo é um planeta, mais difícil é observá-lo diretamente", ressaltou à AFP Anne-Marie Lagrange, membro da equipe.
Quase mil exoplanetas foram descobertos com a utilização de métodos indiretos. Os astrônomos não veem a sua luz, mas podem medir o seu impacto sobre algumas propriedades da estrela em torno da qual giram. Em contrapartida, apenas vinte exoplanetas foram observados por imagem direta por meio da coleta de sua luz visível e infravermelha.
O planeta recém-descoberto orbita a jovem estrela HD95086, que tem entre 10 a 17 milhões anos, a uma distância correspondente a cerca de 56 vezes a distância entre a Terra e o Sol. O sistema está localizado a cerca de 300 anos-luz da Terra.

Em imagens captadas pelo VLT, o exoplaneta aparece sob o aspecto de um ponto em movimento, pouco luminoso, mas nítido, perto da estrela HD95086.
Existem muitos argumentos que garantem que se trata de um exoplaneta, mas os astrônomos querem manter a cautela. "Acreditamos que dentro de um ano, seremos capazes de confirmar, sem dúvida", segundo o astrônomo Gael Chauvin. "Vai ser um assunto muito interessante para estudar", acrescentou.


A equipe usou para sua descoberta o NACO, instrumento óptico adaptável instalado em um dos quatro telescópios de 8.2 metros do VLT. Este instrumento permite aos astrônomos superar quase todos os efeitos de perda de foco causados pela atmosfera e obter imagens com uma resolução muito alta. As observações foram feitas com luz infravermelha.

sábado, 1 de junho de 2013

Curiosity indica que astronautas suportariam radiação até Marte

Cientistas usaram dados de um instrumento da sonda espacial Curiosity para medir a quantidade de radiação recebida pelo equipamento durante sua viagem até Marte. Segundo os cientistas, o nível registrado está dentro dos limites estabelecidos por agências espaciais para astronautas. 

O próximo passo, afirmam os cientistas, é descobrir se o corpo humano suportaria os raios na superfície da quarta rocha do Sistema Solar.


"Os dados do nosso estudo são diferentes (de outros anteriores) porque o detector que usamos, o Detector de Avaliação de Radiação, ou RAD, estava sob um pouco de blindagem. Portanto, nossa medição é a primeira de seu tipo", explica Cary Zeitlin, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste (EUA).

A radiação é perigosa para o homem em duas circunstâncias: ao receber uma grande dose ou pequenas doses ao longo de determinado período. Em uma viagem espacial, os astronautas podem ser expostos a uma grande emissão de partículas do Sol e também aos constantes raios cósmicos galácticos (GCRs, na sigla em inglês).

A exposição à radiação é medida em Sievert (Sv) ou miliSievert. Para se ter ideia, estudos indicam que uma exposição a 1 Sv (o limite imposto pelas agências espaciais para os astronautas) aumenta em 5% o risco de se desenvolver de câncer.

"Os dados do RAD mostram uma dose média equivalente de GCR de 1,8 miliSieverts por dia em cruzeiro. O total durante as fases de trânsito de uma missão a Marte seria de aproximadamente 0,66 Sv para uma viagem com os atuais sistemas de propulsão", diz Zeitlin.

Os cientistas afirmam, contudo, que a medição foi feita durante um período de tranquilidade na atividade solar - o que foi inesperado, já que, de acordo com o ciclo solar, a estrela deveria estar bem mais ativa. Por causa disso, e do escudo de proteção, apenas 5% da radiação foi proveniente do Sol. A exposição de uma tripulação em direção ao planeta vermelho dependeria do tipo de proteção utilizada e das imprevisíveis erupções solares. Para os cientistas, os resultados representam a segurança de uma missão a Marte durante um período de atividade baixa a moderada da nossa estrela.
Os pesquisadores pretendem agora calcular a quantidade de radiação na superfície marciana, também com medições da Curiosity. E essa exposição pode ser significantemente maior se comparada com a da viagem, já que alguns planos da Nasa propõem que os astronautas permaneçam até 500 dias no planeta. 

Pedras lisas indicam que Marte já teve rio, atesta robô da Nasa

O robô Curiosity, da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana ), encontrou novos indícios de que alguma vez houve água em Marte, segundo um estudo publicado nesta sexta-feira (31) na revista Science.
O Curiosity encontrou novos indícios de que Marte já abrigou água em sua superfície antes de se tornar um planeta árido. Nos primeiros 40 dias da missão no planeta vermelho, o robô fotografou mais de 500 pedras (à esquerda) que são similares aos seixos encontrados nos leitos de rios do planeta Terra (à direita). Segundo a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana), a superfície redonda e lisa dos pedregulhos foi formada como se tivessem "viajado longas distâncias pelo leito de um antigo rio"

O Curiosity, que aterrissou em agosto de 2012 na cratera Gale do planeta vermelho equipado com instrumentos de alta tecnologia, tirou fotos de vários pedregulhos de superfície lisa e redonda, muito similares aos vistos nos leitos dos rios da Terra.
No total, os pesquisadores examinaram 515 pedras e se deram conta que todas tinham a superfície redonda e lisa, como se tivessem viajado longas distâncias pelo leito de um antigo rio.

Esses pedregulhos oferecem novas pistas sobre o passado de Marte, segundo Morten Bo Madsen, diretor do grupo de pesquisa sobre o planeta vermelho no Instituto Niels Bohr.
Embora hoje Marte seja um planeta árido, os cientistas encontraram provas que a água fluiu por sua superfície há vários milhões de anos.

No último mês de março, a Nasa informou que uma análise de uma amostra de rocha recolhida pelo Curiosity revelou que Marte também pode ter abrigado vida microbiana. Os cientistas identificaram enxofre, nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo e carbono, alguns dos ingredientes químicos essenciais para a vida.
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