terça-feira, 31 de maio de 2011

Marte - O planeta vermelho

A cor vermelha de Marte sempre foi associada a forças destruidoras, por isso o planeta foi batizado com o nome do deus romano da guerra – para os gregos, Ares. Seus dois satélites naturais receberam o nome dos filhos de Ares com Afrodite: Fobos e Deimos. O planeta sempre despertou a curiosidade humana. Por algum tempo, imaginou-se que o misterioso mundo era habitado por seres inteligentes, até que imagens mostraram a desoladora paisagem marciana. A busca atual é por indícios de vida microscópica.
Marte e Fobos, seu menor satélite

Dados básicos:
·         Distância média do Sol: 228 milhões de km;
·         Diâmetro: 6.794 km;
·         Variação da temperatura na superfície: -140ºC a 22ºC;
·         Rotação: 24h e 37min;
·         Translação: 687 dias;
·         Satélites: 2 (Fobos e Deimos).

Vizinho que desperta curiosidade:
           
Marte é o planeta que mais desperta a curiosidade do ser humano, sendo até hoje o mais visitado por sondas espaciais. Desde a década de 1960, diversas missões não tripuladas enviaram imagens, pousaram em sua superfície e coletaram dados da atmosfera e do solo em busca de vida extraterrestre. Atualmente, no entanto, a procura não é exatamente por organismos complexos, e muito menos por civilizações avançadas, mas por seres vivos microscópicos.
            Marcianos, aliás, sempre povoaram o imaginário humano. Em 1877, o astrônomo italiano Giovani Schiaparelli, utilizando modestos instrumentos de observação, descobriu na superfície marciana formas semelhantes a canais. Em 1906, o norte-americano Percival Lowell alimentou a lenda da existência de seres inteligentes ao imaginar que aquelas formações seriam dutos de irrigação artificial. Mais do que isso, as manchas escuras na superfície, que mudavam de coloração de acordo com a época do ano, foram descritas como vegetações que se desenvolviam no calor e se recolhiam com o frio.
             
Existem marcianos? Talvez só em um passado remoto. Hoje... só estes aí, na foto.

            Apenas nas décadas seguintes, com o aprimoramento da técnicas de observação e o envio de missões espaciais, é que se chegou à conclusão de que os canais não eram resultados de obras de engenharia alienígena e as manchas escuras não estavam relacionadas à vegetação. Para decepção de muitos, a explicação cientifica é menos fantasiosa e bem mais simples: a paisagem é decorrente das características do relevo e dos fenômenos atmosféricos.

O planeta:

            Quarto planeta mais próximo do Sol, Marte tem diâmetro de 6.794 km, correspondente à metade do da Terra. O dia marciano possui praticamente a mesma duração do daqui: 24h e 37min. Já o ano é bem mais longo: 687 dias para completar o movimento de translação, a uma velocidade de 24,1 km/s.
            Marte localiza-se, em média, a 228 milhões de quilômetros do Sol, com variação entre 206,6 milhões e 249,2 milhões de quilômetros. Em relação a Terra, o planeta vermelho chega, quando mais perto, a menos de 56 milhões de quilômetros e, no ápice de seu afastamento, a 400 milhões de quilômetros.
            Há uma acentuada diferença de temperatura entre o verão e o inverno marciano. No verão, a temperatura máxima fica em torno de 22ºC no local mais quente. Como sua atmosfera é muito fina, à noite essa mesma região pode registra -70ºC. Nas regiões mais frias, a temperatura cai para -140ºC.


            Missões não tripuladas:

            As primeiras sondas a se aproximarem do planeta vermelho, no final da década de 1960, foram as norte-americanas Mariner 4,6 e 7. Em 1971, uma cápsula da sonda soviética Marte 3 pousou no planeta. De lá pra cá, outras missões espaciais capturaram preciosas informações sobre o relevo, atmosfera, composição e estrutura de Marte.

Marte é o planeta mais explorado pelo homem

Atmosfera:

            A pressão atmosférica na superfície é de cerca 750 Pascal (Pa), cerca de 0,75 por cento da média da Terra. Contudo, a pressão atmosférica varia ao longo do ano devido à dissipação durante o Verão do dióxido de carbono congelado nos pólos, tornando a atmosfera mais densa. Além disso, a atmosfera tem 11 km de altura, maior que os 6 km da Terra. A atmosfera marciana é composta por 95% dióxido de carbono, 3% Nitrogênio, 1,6% Argônio, e possui vestígios de oxigênio e vapor de água. Em 2003, descobriu-se metano na atmosfera, com uma concentração de cerca 11±4 ppb (partes por bilhão) por volume. A presença do metano em Marte é muito intrigante, já que é um gás instável e indica que existe (ou existiu nos últimos cem anos) uma fonte do gás no planeta. A atividade vulcânica, o impacto de cometas e a existência de vida sob a forma de microrganismos estão entre as possíveis causas ainda não comprovadas. O metano aparece em certos pontos da atmosfera, o que sugere que é rapidamente quebrado, logo poderá estar a ser constantemente libertado para a atmosfera, antes que se distribua uniformemente pela atmosfera. Foram feitos planos recentemente para procurar gases "companheiros" que podem sugerir as fontes mais prováveis; a produção biológica de metano na Terra tende a ser acompanhada por etano, enquanto a produção vulcânica tende a ser acompanhada por dióxido de enxofre.            

Pôr-do-Sol em Marte

            Geografia:

            O relevo do planeta é bastante diversificado, com imensos vulcões, cânions gigantes, planícies, dunas, crateras, calotas polares e vales. Pode ter sido esculpido por água corrente que teria existido em um passado muito distante. Há, no entanto, pesquisadores que acreditam que o provável agente modificador do relevo teria sido a lava vulcânica.
            Em sua superfície são vistas manchas claras e escuras, que mudam constantemente de aparência – a provável explicação para a diferença de coloração são as violentas tempestades de areia que assolam o planeta. As áreas claras constituem cerca de 2/3 da superfície e são compostas de rochas avermelhadas e porosas. As zonas escuras são cinza-azuladas, que ganham aspecto esverdeado no verão e na primavera. O hemisfério norte tem apenas duas dessas manchas, originadas pelo vento, que transporta poeira e areia escura.
            Nos pólos norte e sul existem calotas de gelo seco. O tamanho delas varia de acordo com as estações, atingindo o ápice no inverno e praticamente desaparecendo no verão. Supõem-se que em Marte exista água congelada na região próxima dos pólos e sob sua superfície.

Marte apresenta um relevo bastante diversificado

            Montes e Vales:

            Marte divide-se em duas regiões principais: as planícies do norte, caracterizadas por terrenos baixos e planos, e os planaltos do sul, onde há um grade número de crateras resultantes de impactos. Entre essa regiões, estão os principais territórios vulcânicos de Marte: Tharsis e Elysium.
            A região de Tharsis é um planalto, com cerca de 8.000 km de diâmetro, contendo três enormes vulcões. As montanhas variam entre 350 e 450 km de extensão e possuem até 20 km de altura. Perto dali localiza-se o Monte Olimpo, o maior vulcão do Sistema Solar, com 24 km de altura e uma base de 500 km de diâmetro.
            O Vale Marianers é um sistema de cânions próximo a Tharsis, com mais de 4.000 km de extensão e 400 km de largura. A região de Elysium, por sua vez, pode abrigar um lago congelado, como sugere, as informações obtidas em 2005 pela sonda Mars Express.

Monte Olimpo - maior vulcão do Sistema Solar

            Os filhos de Áres:

            Marte possui dois pequenos satélites naturais: Fobos e Deimos. Eles têm, respectivamente, diâmetros aproximados de 22 km e 13 km. Descobertos em 1877, possuem formas irregulares e percorrem órbitas quase circulares. Os dois satélites têm sempre a mesma face virada para o planeta. Localizado a 23,5 mil Km de Marte, Deimos percorre sua órbita em 30h e 17min. Fobos, por sua vez, tem um período de translação de 7h e 39min e situa-se a 9,4 mil km de altitude.

Fobos e Deimos, satélites naturais de Marte.


Série: Sistema Solar - Nosso refúgio no Universo
Fontes: Atlas do Universo; e Wikipedia.

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