segunda-feira, 10 de junho de 2013

Astrônomos descobrem fábrica de cometas a 400 anos-luz da Terra

Um grupo internacional de astrônomos encerrou parte do mistério que envolve a formação de corpos celestes ao descobrir uma "fábrica" de cometas ao redor de uma estrela a 400 anos-luz de distância da Terra.

Eles identificaram, pela primeira vez, uma armadilha de poeira, região na qual os pequenos grãos ficam 'presos' para se aglutinarem uns aos os outros, permitindo que eles cresçam em segurança até ficarem do tamanho de pedregulhos. Esse porto seguro de partículas de poeira só era conhecido na teoria, ressalta o estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira (6).

Durante o estudo do disco de gás ao redor da estrela Oph-IRS 48, a equipe liderada por Nienke van der Marel, do Observatório de Leiden, na Holanda, observou com ajuda do ALMA (Grande Conjunto de Radiotelescópios do Atacama), o maior telescópio astronômico do mundo, que a poeira na órbita do sistema estelar tinha um formato diferente, mais parecido com uma castanha de caju do que de disco.
Astrônomos descobriram uma fábrica de cometas a 400 anos-luz de distância da Terra, encerrando um mistério da formação de corpos celestes. Durante o estudo do disco de gás ao redor da estrela Oph-IRS 48, o grupo de Nienke van der Marel, do Observatório de Leiden, na Holanda, observou que a poeira na órbita do sistema estelar tinha um formato diferente, mais parecido com uma castanha de caju do que de disco. Foi aí que eles perceberam que se tratava de "armadilha de poeira", região na qual os grãos ficam 'presos' para se aglutinarem uns aos os outros e crescerem em segurança, sem que fiquem estilhaçados após o choque. "Provavelmente estamos vendo um tipo de fábrica de cometas, já que as condições são propícias aos crescimento das partículas, desde o milímetro até ao tamanho de cometas", explica a autora no artigo publicado na Science

"Provavelmente estamos vendo [nessa região] um tipo de fábrica de cometas, já que as condições são propícias aos crescimento das partículas, desde o milímetro até ao tamanho de cometas", explica a autora.

Uma armadilha de poeira surge quando as partículas de poeira grandes se movem em direção a regiões de alta pressão. Os modelos teóricos apontam que esses lugares de alta pressão podem ter origem nos movimentos do gás situado na periferia de um disco de gás, assim como ocorre neste sistema estelar.

"Não é provável que a poeira dê origem a planetas a esta distância da estrela. Mas em um futuro muito próximo, o telescópio ALMA será capaz de observar estas armadilhas de poeira muito mais próximas das estrelas progenitoras, onde esses fenômenos estão ocorrendo. Tais locais seriam efetivamente os berços de planetas recém nascidos", conclui Nienke.


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