segunda-feira, 20 de junho de 2011

Colisão entre estrela do tamanho do Sol e um enorme buraco negro provocou uma das maiores explosões espaciais já registradas

         Astrônomos acreditam ter resolvido o mistério de uma das maiores explosões espaciais jamais registradas. Eles afirmam que a explosão em uma galáxia distante aconteceu depois que um buraco negro massivo devorou uma estrela. A energia liberada foi detectada primeiramente pelo satélite Swift no dia 28 de março e foi confirmada depois por telescópios.



Alguns cientistas acreditaram que o clarão era uma explosão de raios gama de uma estrela em colapso, porém a queima de um evento como este dura normalmente apenas poucas horas. Ao invés de desaparecer, a explosão cósmica continuou a queimar e a emitir radiações de alta energia por dois meses e meio.

Duas equipes concluíram que uma estrela do tamanho do Sol foi sugada por um buraco negro gigante do mesmo jeito que uma mosca não consegue escapar de um sapo.

Assim que o buraco negro abocanhou a estrela, um feixe de energia foi jorrado em direção a Terra e isto pode ter sido registrado pelos telescópios. O banquete estelar ocorreu em uma galáxia a 3,8 bilhões de anos luz. Um ano luz corresponde a cerca de 9,66 trilhões de quilômetros.

“Isto foi totalmente diferente de qualquer coisa vista”, disse Joshua Bloom, astrônomo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que liderou uma das equipes do estudo publicado no periódico científico Science. Bloom classificou o evento como algo extremamente raro.

"Isso acontece porque o buraco negro rasga a estrela, sua massa gira em espiral e este processo libera muitíssima energia", explicou o cientista.
Cerca de 10% da massa dessa estrela se transformou em energia irradiada, como raios X e gama, que podiam ser vistos na Terra, uma vez que o feixe de luz apontava para a Via Láctea, segundo o estudo.

Ao repassar o histórico de explosões na Constelação de Draco, onde foi observado o fenômeno, os cientistas determinaram que o acontecimento foi "excepcional", já que não encontraram indícios de outras emissões de raios X ou gama.

Buracos negros são como roda moinhos, núcleos super densos das galáxias que consomem tudo por perto em pouco tempo. Como eles crescem permanece um mistério. Cientistas acreditam que a observação do clarão pode ajudar na melhor compreensão de como as galáxias se formam.


Em repouso

O mais fascinante, segundo Bloom, é que o fenômeno começou em um buraco negro em repouso, que não estava atraindo matéria. "Isto poderia acontecer em nossa própria galáxia, onde há um buraco negro que vive em quietude e que fervilha ocasionalmente, quando absorve um pouco de gás", garantiu. No entanto, Bloom ressaltou que seria uma surpresa ver outro fenômeno similar no céu na próxima década.

“Não é o tipo de coisa pela qual se deva perder o sono”, disse o pesquisador Andrew Levan da Universidade de Warwinck, na Inglaterra, e que liderou a outra equipe de estudo.
A explosão é algo "nunca visto" até agora na longitude de onda dos raios gama, por isso o mais provável é que só aconteça "uma vez a cada 100 milhões de anos, em qualquer galáxia", calculou o cientista.

O estudo estima que as emissões de raios gama, que começaram entre os dias 24 e 25 de março em uma galáxia não identificada a cerca de 3,8 milhões de anos luz, vão se dissipar ao longo do ano.


"Acreditamos que o fenômeno foi detectado em seu momento de maior brilho, e se realmente for uma estrela destruída por um buraco negro, podemos dizer que nunca voltará a ocorrer nessa galáxia", concluiu Bloom.

 Fonte: Astrofisicos

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sondas lançadas em 1977 atravessam mar magnético gigantes na fronteira final do nosso sistema solar

As duas naves foram lançadas em 1977 e são responsáveis por colher alguns dos dados mais extraordinários da história da Nasa. Elas agora estão a mais de 14 bilhões de quilômetros da Terra, se aproximando do limite do Sistema Solar.  As sondas Voyager continuam enviando dados para o centro de controle da Nasa, no Estado americano no Texas. Cada mensagem demora 16 horas para atravessar a distância no espaço.

Os pesquisadores afirmam que estas descobertas têm impacto na forma como se entende os raios cósmicos – que são as tempestades de partículas de alta energia que se aceleram na direção da Terra, oriundas de explosões de estrelas e buracos-negros. É provável que a massa de estruturas magnéticas torne o Sistema Solar mais poroso e suscetível a raios cósmicos.



Nova missão

A observação é de interesse não só para astrônomos, como também para astronautas – que precisam se precaver contra os efeitos dos raios cósmicos na sua saúde – e para engenheiros – preocupados em construir naves e componentes resistentes às partículas de alta energia.

Os pesquisadores foram surpreendidos por alguns dos dados revelados pelas sondas Voyage. Eles esperavam que os limites do Sistema Solar seriam mais serenos e com menos atividades magnéticas.

Esta é mais uma demonstração entre tantas das capacidades extraordinárias das sondas Voyagers, que continuam gerando dados e novos questionamentos mais de três décadas depois de seus lançamentos.

A Voyager 1 chegou ao espaço no dia 5 de setembro de 1977, e a Voyager 2, no dia 20 de agosto do mesmo ano.

A missão inicial das sondas era pesquisar os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. A tarefa foi completada em 1989. Elas então foram direcionadas rumo ao centro da Via Láctea.

O professor Ed Stone, que trabalha com as Voyager desde o começo da missão, diz que nenhuma outra operação durou tanto tempo. Já são 33 anos de funcionamento, e a Voyager ainda possui energia suficiente para durar mais uma década.

A tecnologia da Voyager é rudimentar para os padrões de hoje. Os transmissores consomem a energia equivalente a de uma lâmpada comum. Um telefone celular moderno possui 10 milhões de vezes mais memória do que a Voyager.

A sua nova missão é explorar os limites do Sistema Solar. Os cientistas não têm certeza sobre o limite final do Sistema, onde começaria uma zona de espaço interestelar.



terça-feira, 14 de junho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Gigantesca tempestade solar

            Uma tempestade solar incomum, localizada por um observatório espacial da Nasa, poderá perturbar a atividade dos satélites, assim como das comunicações e das redes elétricas na Terra esta quarta-feira, alertaram autoridades.


            Desde 2006 não se via uma tempestade solar desta magnitude, segundo a meteorologia nacional americana (NWS).
            "O Sol sofreu em 7 de junho uma tempestade de força mediana (M-2), com emissão de massa coronal (CME, na sigla em inglês) visualmente espetacular", noticiou o observatório dinâmico solar da agência espacial americana, em um comunicado.
             O centro de previsões espaciais da NWS descreveu o fenômeno como "espetacular" e "suscetível de provocar uma tempestade geomagnética de pequena a moderada, em 8 de junho, a partir das 15h (horário de Brasília), aproximadamente".
             Esta tempestade "contém uma quantidade importante de prótons de alta energia, superior a 100 megaelétron-volts (MeV)", algo que não ocorria desde dezembro de 2006, segundo o comunicado.
            A tempestade geomagnética poderia provocar perturbações nas redes elétricas, especialmente nos satélites GPS, e obrigar os aviões a modificar seu itinerário ao sobrevoar as regiões polares, explicou um porta-voz.



Vídeos da fantástica tempestade solar:


      
Vídeos produzidos em observatório terrestre e sonda espacial, respectivamente.


Fonte: Nasa

Supernova na Galáxia do Redemoinho

            Pela segunda vez em seis anos, uma estrela explodiu na icônica Galáxia Whirlpool (Messier 51), e - boa notícia! - Está visível para os observadores de quintal com telescópios médios ou de grande abertura.

Galáxia do Redemoinho, que localiza-se em nosso grupo local.
            
            O primeiro sinal da supernova foi em 31 de maio, quando astrônomo amador francês Amédée Riou notou uma estrela de magnitude 14 que anteriormente estava ausentes nas imagens CCD da galáxia. Riou gravou imagens novamente na noite seguinte. Independentemente disso, foi identificado em 01 de junho por Thomas Griga em Schwerte, na Alemanha o mesmo evento estranho. Na noite seguinte, a supernova foi vista por Tom Reiland em Glenshaw, Pensilvânia, e pelo observador francês Stéphane Lamotte Bailey, que percebeu a supernova nas imagens digitais tiradas pelo telescópio de 8 polegadas.
            Ainda é muito cedo para dizer se a supernova está aumentando seu brilho ou se ela já está desaparecendo, não está bem claro o que realmente está acontecendo nas imagens que Riou tirou em 10 de maio. Também não há nada mais brilhante que 19,5 de magnitude em imagens adquiridas na noite de 30 de maio com um refletor de 10 polegadas na Universidade de Liubliana, na Eslovênia.

Observe a supernova à esquerda da imagem, na cauda da Galáxia. 

            Com base nos espectros disponíveis, os astrônomos já estão confiantes de que esta é uma supernova do tipo II - ou seja, a explosão de uma estrela massiva, cujo núcleo entrou em colapso.
             As coordenadas exatas de SN 2011dh ( na direção de Canes Venatici, perto da Ursa Maior) fica em ascensão reta 13h 30m 5.1s, e declinação +47° 10' 11". É posicionado a 2,3 minutos de arco a leste e 1,5 minutos de arco ao sul do centro da galáxia, mais ou menos a meio caminho entre um par de estrelas brilhantes no campo de visão, e deve permanecer visível durante algumas semanas.Em 02 de junho espectros obtidos com o telescópio Keck I revela que depois de deixar M51 os raios-X e gama estão se movendo a 600 km por segundo. "A onda de choque leva o material em diferentes velocidades (normalmente cada vez mais rápido e para mais longe)", explica Bradley Cenko membro da equipe na University of California, Berkeley. "O hidrogênio que vemos se aproximando de nós a 17,600 km por segundo, é provavelmente o material o que foi expelido mais rápido."
             Weidong Li e Alex Filippenko (também na Universidade de Berkeley) identificaram uma estrela agonizante em imagens do Hubble de M51 feitas em abril de 2005. Sua análise sugere que a estrela em supernova, agora designada SN 2011dh, foi provavelmente uma super gigante amarela, com uma massa de 18-24 vezes a do nosso Sol e uma magnitude de 21,8.
             Curiosamente, a supernova que explodiu em um dos braços da Whirlpool, há seis anos também foi um evento do tipo II. Um terceiro, um pouco mais brilhante ocorreu em 1994. (Para aqueles que mantêm a contagem, já são três supernovas em 17 anos!)
             A cerca de 31 milhões de anos-luz de distância, a face da galáxia Whirlpool está ao norte do céu noturno e bem localizado para observação.

Exemplo de Supernova - Na imagem: Kepler, uma das mais jovens supernovas da Via Láctea.

Campos terá a 1ª Escola de Astronomia e Aeronáutica do Brasil!

Por Priscilla Alves

            Campos vai ter a primeira escola de astronomia e astronáutica do Brasil. A Escola de Astronomia e Astronáutica - Projeto Cientista Criativo – vai iniciar as atividades no dia 09 de agosto. São 20 vagas para o segundo ciclo do ensino fundamental e 20 vagas para o ensino médio. Somente estudantes de escolas públicas, de 11 a 18 anos, podem participar do projeto.     O objetivo do curso é descobrir talentos para ciência.
             No dia 22 de junho vai ser realizada a primeira etapa do processo de seleção. Nessa primeira etapa será feita uma avaliação de conhecimentos gerais e da capacidade de raciocínio. A etapa será de caráter eliminatório.

Incrições - As inscrições para o processo de seleção dos estudantes são gratuitas e estão abertas até o dia 17 de junho. Para se inscrever basta preencher o formulário que está disponível aqui .

Local - O curso vai ser nas dependências do IFF, antigo Cefet, no campus Campos Centro. O projeto é organizado pelo Clube de Astronomia Louis Cruls, do IFF, e tem o apoio da Fundação Marcos Pontes.

Fonte: Intertv (02/06/2011)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Molécula de açúcar no espaço pode abrir caminho para vida alienígena


O açúcar orgânico, molécula que está diretamente ligada à origem da vida, foi detectado em uma região da nossa galáxia, onde planetas habitáveis ​​poderiam existir. 



Utilizaando o rádio telescópio IRAM na França, uma equipe internacional de cientistas descobriram esta molécula em uma região do espaço que é massiva em formação de estrelas, a cerca de 26.000 anos-luz da Terra.

"Esta é uma descoberta importante, primeira vez que o Gliceraldeído, um açúcar básico, tem sido detectado perto de uma região de formação de estrelas, onde os planetas que poderiam abrigar a vida possam existir", disse Serena Viti, uma das autoras da descoberta.

Gliceraldeído podem reagir para formar a ribose, um constituinte fundamental do ácido nucléico RNA, que se acredita ser a molécula central na origem da vida.

Gliceraldeído anteriormente só foi detectada perto do centro da nossa galáxia, onde as condições são extremas em comparação com o resto da galáxia. Mas sua descoberta em uma área distante do centro da galáxia em uma área conhecida como G31.41+0.31 sugere que a produção deste ingrediente chave para a vida pode ser comum em toda a galáxia.

Esta é uma boa notícia em nossa busca por vida extraterrestre, porque uma ampla gama de moléculas aumenta as chances de que outras moléculas essenciais à vida existam nas regiões em que planetas como a Terra podem existir.

O professor Keith Mason, chefe executivo do STFC, disse que "a descoberta de uma molécula de açúcar orgânico em uma região de formação de estrelas no espaço é muito interessante e irá fornecer informações extremamente úteis na busca por vida extraterrestre. Pesquisas como esta, combinado com a vasta gama de outros projetos astronômicos que envolvem pesquisadores do Reino Unido, estão em constante expansão e alavanca o nosso conhecimento do Universo, mantendo o Reino Unido na vanguarda da astronomia.”
 Fonte: Astrofísicos

Astrônomos descobrem explosão de raios gama mais distante do universo

Astrônomos de diversos países descobriram o objeto mais distante do universo, depois que um satélite em órbita detectou uma explosão de raios gama que teria ocorrido há 13 bilhões de anos.



"Trata-se da explosão de raios gama mais remota já detectada, e é também o objeto mais distante já descoberto",

As explosões de raios gama são invisíveis aos olhos humanos, mas após liberarem uma intensa explosão de radiação muito energética, são detectáveis durante poucas horas na luz visível e mediante raios infravermelhos próximos.
Através das observações infravermelhas realizadas durante as 17 horas seguintes à explosão pelo VLT (Very Large Telescope , no Observatório de Paranal, situado ao norte do Chile), foi possível estabelecer a maior distância já observada em um objeto cósmico. Como a luz se movimenta a uma velocidade finita, olhar mais longe no universo significa retroceder no tempo, por isso que a explosão ocorreu quando o universo tinha cerca de 600 milhões de anos.
"Agora podemos ter certeza de que explosões ainda mais remotas serão descobertas no futuro, o que abrirá uma janela no estudo das primeiras estrelas",afirmou Nial Tanvir, que lidera a equipe que faz as observações no Very Large Telescope (VLT).
 Fonte: Astrofísicos

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Receita para fazer um Universo

Além de seis tripulantes, o ônibus espacial Endeavour decolou para sua missão final levando ao espaço uma máquina de detecção científica que custou cerca de dois bilhões de dólares, financiado por 16 nações da distribuídas pela Europa, Ásia e América do Norte ,  o equipamento é o Espectrômetro Magnético-Alfa (AMS, na sigla em inglês). Trata-se de uma sonda de seis toneladas, que será acoplada à Estação Espacial Internacional (ISS) e fará medições de partículas que bombardeiam a Terra, também conhecidas como raios cósmicos. Essas partículas, originadas por diferentes fontes no universo, deixam rastros únicos, que podem dizer aos cientistas do que o universo é realmente feito.
Os especialistas ainda não sabem exatamente do que são feitos todos os componentes fundamentais do cosmo. Sabe-se, por exemplo, que o universo possui três ingredientes principais. O primeiro deles é uma velha conhecida do homem: a matéria visível. São partículas que formam os tijolos fundamentais dos átomos, planetas e estrelas. Tão massivos são os corpos celestes e tão onipresentes são os átomos que seria natural assumir que a maior parte do universo é composta por matéria visível, certo? Mas não. Apenas 5% dele é matéria visível. O restante é ocupado pelos outros dois ingredientes — a matéria escura e a energia escura. São manifestações exóticas da natureza e quase nada conhecidas pelo homem. A audaciosa tarefa do AMS será ajudar os cientistas a entender do que são feitos esses 95% do universo.


Fórmula do universo:                  

Para entender os outros dois ingredientes que formam o cosmo será preciso levar em consideração um fato inusitado. Quando os cientistas observam a forma com que estrelas e as galáxias se movem, há algo inusitado: apesar de a física afirma que as estrelas, planetas e corpos de uma galáxia deveriam se movimentar mais lentamente à medida em que se afastam do centro dela, isso não acontece na prática, no caso das galáxias. No Sistema Solar, por exemplo, Mercúrio, que está próximo do Sol, movimenta-se em torno do astro com velocidade 60% mais rápida do que a da Terra. Marte segue mais lento que o nosso planeta e Júpiter ainda mais. E assim por diante, até Plutão e Eris, que praticamente se arrastam em volta do Sol.
As diferentes velocidades esperadas pelos físicos podem ser entendias quando observamos um furacão, explica o físico Marcelo Gleiser, autor do livro Criação Imperfeita (Editora Record, 368 páginas, 49,90 reais). Se medirmos a velocidade das moléculas próximas ao olho do fenômeno, elas se movem rapidamente. À medida em que se afastam do centro, as partículas perdem força e ficam mais lentas, até o furacão desaparecer completamente. “Assim deveria funcionar com as galáxias”, afirma Gleiser. Contudo, as observações cósmicas mostram que os corpos nas periferias das galáxias movimentam-se com velocidades comparáveis às daqueles que estão mais ao centro.

Matéria escura:

Portanto, para que as equações da física façam sentido, é preciso que exista alguma força empurrando o amontoado de poeira, gás, estrelas e planetas da periferia das galáxias em velocidades semelhantes a de corpos que estão mais próximos do núcleo. Essa força adicional compensaria a previsão física de que quanto mais longe do centro de uma galáxia, mais lento é o movimento dos corpos. Essa força adicional, dizem os físicos, é a gravidade de uma manifestação da natureza que possui massa, mas não emite qualquer tipo de luz — ou radiação — que o homem consiga medir diretamente.
Como não é possível enxergá-lo, os cientistas deram o nome de "matéria escura" a esse que seria o segundo ingrediente mais abundante no universo. Estima-se que 23% de tudo seja formado pela matéria escura. “Os pesquisadores têm certeza de que ela existe, pois ela exerce força sobre os corpos, influencia inclusive a luz”, esclarece Gleiser. Apesar de não detectá-la diretamente, é possível perceber os efeitos que a matéria escura causa no movimento das galáxias.

Energia escura:

O mais abundante dos ingredientes do universo, porém, é a ainda mais misteriosa energia escura. Gleiser explica que os modelos físicos provaram que o universo está em expansão, de acordo com a teoria do Big Bang — a grande explosão primordial que deu início a tudo. “Só que, em 1998, descobriu-se que essa expansão estava acontecendo mais rapidamente do que as equações previam”, diz. Para que a conta fechasse, os cientistas calcularam o quanto de força seria preciso para provocar o excedente na velocidade de expansão das galáxias. A essa força deu-se o nome de energia escura – que corresponde a 72% do universo.
Saber que essas forças estranhas existem não é suficiente. “É necessário saber do que elas são feitas e como elas podem ajudar o homem a entender o universo, melhorar os modelos físicos e desenvolver melhores tecnologias”, pondera Gleiser. É aí que entra o AMS, o caro experimento de dois bilhões de dólares.

Futuro:

A análise dos raios cósmicos que a sonda fará será inédita. Como a maioria das partículas dos raios cósmicos é repelida pela atmosfera, torna-se difícil o estudo deles a partir da superfície da Terra sem qualquer tipo de interferência. O AMS vai capturar partículas usando um poderosíssimo imã, o mais potente já colocado no espaço. Detectores ultraprecisos vão identificar essas partículas e medir a massa, carga e energia de cada uma delas. Como cada partícula deixa um rastro único, os cientistas esperam encontrar aquelas que explicam de alguma forma a natureza da matéria e energia escuras.
O investimento colossal em um único experimento científico mostra que a comunidade internacional está disposta a gastar muito dinheiro para responder questões fundamentais. O projeto ainda dá uma sobrevida à Estação Espacial Internacional, criticada por não ter uma serventia substancial no avanço da ciência além de experimentos em microgravidade. Os cientistas ainda terão muito que fazer até que o AMS esteja em pleno funcionamento. Será preciso instalá-lo no enorme complexo espacial que flutua a 400 quilômetros da superfície da Terra e depois realizar uma série de testes para comprovar seu funcionamento. Não tem problema. O universo nos espera — desde sua criação, há bilhões de anos — e sempre vai esperar, pacientemente, para ser explorado.


Fonte: Nasa

terça-feira, 31 de maio de 2011

O que é cinturão de asteróides?

            É um planeta que nunca nasceu. O cinturão é um conjunto de milhões de pedregulhos espaciais que giram em torno do Sol, entre as órbitas de Marte e Júpiter. O curioso é que todos os planetas se formaram a partir de cinturões assim. Há 4,6 bilhões de anos, tudo o que existe aqui na Terra estava em pedrinhas que vagavam numa faixa do sistema solar, do mesmo jeito que o cinturão de hoje. A diferença é que essas pedras foram se aglutinando, atraídas uma pela gravidade da outra. E se juntaram até formar uma bela “pedrona” que hoje chamamos de Terra. Mas, se isso aconteceu com todos os planetas, por que sobrou um cinturão de asteróides? Por causa de um cabo-de-guerra entre a enorme gravidade de Júpiter, maior planeta do sistema, e a do Sol.


Tudo o que hoje forma o sistema solar veio de uma nuvem de poeira. A gravidade fez com que ela se condensasse na forma de um disco há 4,6 bilhões de anos. No meio estava a bola de matéria que viria a se tornar o Sol. Cerca de 98% da massa desse disco era formada por hidrogênio e hélio, os átomos mais leves e comuns do Universo.
No centro do disco, a matéria ficou tão apertada que os átomos começaram a se fundir. Essa fusão nuclear "ligou" o Sol, criando uma fonte de energia que empurrou a maior parte dos leves átomos de hidrogênio e hélio para longe. Estes então se aglutinaram para formar Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Como esses elementos eram abundantes, tais planetas ficaram enormes.
            Boa parte dos átomos pesados, como o ferro e o oxigênio, ficaram perto do Sol, atraídos pela gravidade da estrela. Eles se aglutinaram, formando pedrinhas. A gravidade das pedras maiores atraía as menores. Então as rochas cresceram até virar asteróides. E eles também se juntaram, tornando-se Mercúrio, Vênus, Terra e Marte - os planetas rochosos, menores e mais densos que Júpiter & Cia.
            Cada uma das "faixas" do disco que originou o sistema solar acabou ocupada por um planeta, menos uma: entre Marte e Júpiter. Ela ficou cheia de asteróides que não puderam se juntar para formar um astro grande. É que eles são puxados tanto pela gravidade descomunal de Júpiter quanto pela do Sol. Em meio a essa disputa de titãs, a gravidade dos asteróides não bastou para uni-los.


A chave é a seguinte: quanto mais massa tem um astro, maior sua gravidade, seu poder de atração sobre as coisas que estão próximas dele. "Como os asteróides ficam no meio do caminho entre Júpiter e o Sol, o planeta os atrai para um lado e a estrela para outro a gravidade das rochas não é suficiente para vencer essas forças, e elas não conseguem se aglutinar", diz o astrônomo Roberto Dias da Costa, da Universidade de São Paulo (USP). Na origem do sistema solar, o vapor d’água que estava onde hoje fica Júpiter encontrou uma temperatura baixa o suficiente para virar gelo. Como a quantidade de gelo era, e ainda é, bem maior que a de outros elementos sólidos no espaço, aquilo que viria a ser o maior planeta do sistema solar logo ganhou um núcleo. Este, por sua vez, forneceu gravidade para o astro crescer rápido demais, até ficar com uma massa 318 vezes maior que a da Terra. Com um gigante desses por perto, ficou impossível o cinturão de asteróides se transformar em um planeta. Júpiter chegou a engolir boa parte dos pedregulhos que orbitavam essa região. Tanto que, se as rochas espaciais restantes no cinturão se juntassem, formariam um planeta com metade do tamanho da Lua.

Curiosidade:

A maior parte dos asteróides que formam o cinturão é do tamanho de pedregulhos, com poucos metros de diâmetro. Mas alguns são respeitáveis: 16 têm mais de 240 quilômetros de diâmetro. O maior é Ceres, com 700 quilômetros. Se fosse trazido para a Terra, ele cobriria a distância entre São Paulo e Florianópolis!


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