quarta-feira, 30 de março de 2016

Após 10 anos, brasileiro ainda sente efeitos da viagem ao espaço

Marcos Pontes foi o primeiro brasileiro a ir para o espaço

Marcos Pontes foi o primeiro brasileiro a ir para o espaço. Dez anos após entrar para a história a bordo da Soyuz TMA-8 e se tornar o primeiro astronauta brasileiro a vencer a atmosfera terrestre rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), o coronel da reserva Marcos Pontes se sente dividido entre as melhores lembranças da experiência e as decepções com o programa espacial brasileiro. "Estamos muito aquém do que era o mínimo esperado para um país da categoria e intenções de desenvolvimento que é o Brasil", afirma o paulista de Bauru que passou 10 dias no espaço em entrevista ao Portal EBC. 
Formado em engenharia aeronáutica e com experiência como piloto de testes da FAB (Força Aérea Brasileira), Marcos Pontes ingressou em 1998 na Nasa, a agência espacial norte-americana. Mas o governo brasileiro da época não arcou com os compromissos firmados e a parceria foi encerrada.
Além de realizar a manutenção na ISS, Pontes foi responsável à época por aplicar projetos comerciais, científicos e experimentos educacionais. No dia 8 de abril de 2006, o astronauta brasileiro voltou ao planeta Terra dentro da cápsula de reentrada da Soyuz TMA-7, um dos momentos mais críticos de toda a viagem espacial.
Depois de 10 anos da chegada do Brasil ao espaço, Marcos Pontes relembra dos "demônios do negativismo" e conta os efeitos do espaço que ainda percebe em seu corpo: sangramento dos ouvidos, alergias e alterações de peso. Confira abaixo a entrevista do astronauta brasileiro.


A Viagem Espacial



Em 1997, o Brasil havia feito um acordo com o Programa da Estação Espacial Internacional (ISS) por meio da Nasa e deveria produzir seis partes da estação e fornecer um astronauta para a equipe de manutenção e operação da estação.
Marcos Pontes, militar da Força Aérea Brasileira (FAB), participou de concurso público específico e foi selecionado. Nesse momento, viu-se obrigado a largar sua carreira militar já que o programa não permitia qualquer tipo de envolvimento militar ou bélico.
Em seu site, Marcos Pontes descreve o exato momento que precisou optar pelo caminho civil: "aquilo me deu um frio na barriga, era como abandonar um porto seguro, pois minha carreira militar estava indo muito bem, e embarcar em um projeto que eu não tinha certeza que iria ter sucesso. Havia muitas variáveis a serem definidas ainda."
Decidido, foi para a Johnson Space Center, em Houston (Texas), para participar de um curso de dois anos para obter o "brevê de astronauta". Achando que iria viajar em 2001, o astronauta relata diferentes problemas políticos que fizeram com que o país não cumprisse o acordo com a Nasa.
Posteriormente, a Agência Espacial Brasileira (AEB) fez um acordo com a Rússia, também parceira majoritários da ISS, para que ele fosse escalado para o voo em 2006. 
"De repente, de acordo com a AEB, eu teria apenas 5 meses (o tempo normal para treinar um cosmonauta é de 2 anos) para aprender tudo sobre os sistemas russos para incluí-los nas minhas tarefas técnicas a bordo e, de quebra, aprender a língua russa, em paralelo, nos primeiros três meses em Star City, Moscou, no Centro de Treinamento de Cosmonautas, para onde eu estava sendo transferido."
Entre suas missões no espaço, Marcos Pontes levou ao espaço quatro pesquisas tecnológicas com finalidade comercial, quatro pesquisas científicas e dois experimentos educacionais.
O fato de realizar experimentos com alunos do ensino fundamental virou alvo de crítica da imprensa brasileira, ao que rebateu veemente Pontes:


"No Brasil, a imprensa e alguns "cientistas" - as aspas são para ressaltar o meu espanto com a falta de visão científica e estratégica desses críticos - se limitaram apenas a criticar o custo da missão e citar, muitas vezes de forma irônica, os experimentos das crianças de São José dos Campos."
 
A pesquisa com os estudantes envolvia a germinação de sementes de feijão e a cromotografia da clorofila (medição da graduação da clorofila). As demais pesquisas envolveram testes sobre os efeitos da microgravidade na cinética das enzimas, danos e reparos do DNA na microgravidade, evaporadores capilares, minitubos de calor e nuvens de interação protérica,
A sua ida ao espaço é resultado de uma longa trajetória dentro da Força Aérea Brasileira. Já tentaram desacreditá-lo do sonho de se tornar astronauta? Se sim, o que fez o senhor continuar? 
Pontes: Certamente. Foram muitos anos de trabalho, estudo e muita persistência para vencer os "demônios do negativismo" dentro da própria mente e a sua torcida externa. O que me fez e me faz continuar é perceber que a satisfação de vencer esses demônios é muito maior que o medo de enfrentá-los. 

Efeitos no corpo

 
A partir dos resultados de pesquisas e dos próprios relatos dos próprios astronautas, a ida do ser humano ao espaço gera uma série de efeitos indesejáveis ao corpo, a maioria deles determinada pela falta de gravidade e da maior radiação sobre o corpo dos astronautas, já que não há atmosfera para agir como "filtro solar".
Recentemente, o norte-americano Scott Kelly retornou de uma missão de um ano a bordo da ISS, o maior período em que um astronauta ficou exposto aos efeitos da microgravidade. Scott chegou a "esticar" cinco centímetros de tamanho por causa da falta de pressão em sua coluna vertebral.
A viagem de Marcos Pontes foi bem menor. Ele ficou dois dias a bordo da Soyuz e oito dias dentro da ISS. Mesmo exposto por menos tempo, teve que enfrentar muitos dos efeitos indesejados ao corpo por causa da falta de gravidade e contatos com a radiação.
A osteoporose, perda de células ósseas, é um dos efeitos mapeados. Já a fraqueza muscular é consequência da atrofia dos músculos que são menos usados em ambiente com microgravidade. No espaço, a desorientação espacial é acompanhada de dores na cabeça, coriza, alteração na pressão intraocular e desidratação.
Mas o que chama a atenção do público é o envelhecimento precoce devido a maior radiação sobre as células, deteriorando-as e dificultando sua recomposição.


"O envelhecimento precoce é um dos efeitos na saúde. Durante o tempo no espaço não tive grandes problemas. O real problema é depois do voo: alterações no sistema hormonal, radiação, envelhecimento, perda de densidade óssea, alterações no sistema imunológico."
Há alguma sequela que o senhor sentiu ou sente desde a sua volta à Terra?
Pontes: Isso se traduz em alguns inconvenientes como sangramento dos ouvidos, alergias, alterações de peso, além de ter acompanhamento médico constante para manter a boa saúde.

Volta à Terra


Depois de cumprir sua missão no espaço, Marcos Pontes, o cosmonauta Valery Tokarev e o turista espacial norte-americano Gregory Olsen precisaram se preparar para um dos momentos mais tensos da viagem, a volta.
O procedimento de volta do espaço ocorreu com a espaçonave Soyuz TMA-7 se desacoplando da Estação Espacial Internacional.

 
A aeronave é dividida em três partes. Uma dessas partes é uma cápsula contendo os três tripulantes, que queima ao reentrar na atmosfera. Contudo, ela é feita de material que resiste até 2500 graus. Mas não é só o calor que incomodou Marcos Pontes e seu colegas. A carga de pressão na cápsula chega a ser 11 vezes maior do que o próprio peso na Terra. Ou seja, eles foram pressionados contra os assentos.
No roteiro da reentrada, paraquedas se abrem para diminuir a velocidade. Por fim, foguetes de pouso são acionados levantando a poeira do deserto do Cazaquistão. Mesmo assim, a cápsula atinge o chão a 50 km/h.
A sua volta dentro da Soyuz TMA-8 apresenta-se como um dos momentos marcantes da sua volta. Qual é a sensação de estar dentro da cápsula "furando" a atmosfera do Planeta?
Pontes: A reentrada é o momento mais crítico do voo, sem qualquer dúvida. A sensação é de impotência, ja que não há praticamente nada que possamos fazer para resolver um eventual problema estrutural.
No futuro breve, conseguiremos algum tipo de mecanismo de propulsão como aparecem nos filmes como Star Wars e outros? 
Pontes: No futuro breve, teremos novos sistemas de propulsão, mas chegar à sofisticação do Star Treck ou Star Wars ainda vai demorar um tanto. 
O Programa Espacial Brasileiro é coordenado pela AEB. Mesmo tendo uma base de lançamento localizada em local propício (perto da linha do Equador), o Brasil precisou fechar uma parceria com a China para lançar satélites sino-brasileiros em território oriental.
O programa é alvo de críticas e necessita de recursos significativos para o projeto. Para o astronauta Marcos Pontes, há muito o que ser feito para recolocar o Brasil rumo à conquista do espaço.
O senhor tem acompanhado o Programa Espacial Brasileiro? Como o senhor o avalia?
Pontes: Sim. Estamos muito aquém do que era o mínimo esperado para um país da categoria e intenções de desenvolvimento que é o Brasil.
Para que o Programa possa engrenar, o que precisa ser feito daqui em diante?
No curto prazo, grande mudança estrutural do programa, incluindo gestão; parceria racional com países líderes do mercado internacional e Intercâmbio de pesquisadores.
No médio prazo, inclusão de diretoria de formação e educação; melhoria grande da divulgação do programa (Publico e autoridades); criação de cursos de formação técnica e otimização de portfólio de projetos.
No longo prazo, a mudança das leis de participação de setor privado em universidades públicas e centros de pesquisa; mudança de leis de licitação de produtos de alta tecnologia; reposição de Recursos Humanos do programa; otimização e ampliação das instalações técnicas; criação de laboratórios compartilhados com universidades e empresas; Centro de Lançamento de Alcântara via parceria comercial internacional.

Novos "Astronautas"

Em maio de 2006, Marcos Pontes foi transferido para a reserva militar por motivos de regulamento e por ser mais útil ao campo civil, conforme explica em sua biografia. Contudo, o astronauta reclama que parte da imprensa brasileira disse que ele teria se aposentando logo depois da missão para ganhar dinheiro com palestras.


"A repercussão negativa das calúnias foi tão grande que até hoje existem alguns idiotas que acreditam e repetem essa bobagem! Do meu ponto de vista, a repercussão daquelas calúnias teve lados bons e ruins."
Sem apoio dos órgãos públicos, Pontes afirma que contou mais com o auxílio do setor privado e de órgãos internacionais. Em 2010, criou a Fundação Astronauta Marcos Pontes para focar na promoção do setor espacial, da educação, ciência, tecnologia e sustentabilidade. 
O astronauta criou uma agência de turismo espacial e tem o executivo paulista Bernardo Hartogs, de 53 anos, como cliente. Ele será o primeiro turista espacial do Brasil a participar do projeto internacional Virgin Galatic. Contudo, Pontes não considera que um possível turista espacial possa ser chamado de segundo astronauta brasileiro.
"Para ser astronauta profissional, é necessário fazer o curso na NASA ou em Star City, com duração de dois anos e ser declarado pela NASA ou Roscosmos como astronauta ou cosmonauta profissional"
Sobre a formação desses novos profissionais, Pontes se mostra bastante preocupado:
O senhor tem trabalhado bastante com educação e sustentabilidade. Nesse sentido, como veem os jovens brasileiros em relação ao interesse pela astronomia?
Pontes: A astronomia é uma ótima ferramenta para atrair jovens para as carreiras de ciência e tecnologia, tão necessárias ao desenvolvimento do país. Uso isso e outras na minha fundação. Contudo, obviamente nosso alcance é pequeno perante as necessidades (números) do país.
Faltam profissionais mais dedicados nessa área? 
Pontes: O que me deixa triste e preocupado é ver praticamente a ausente participação do governo em programas desse tipo (STEM - Science, Technology, Engineering and Math) para nossos jovens em grande escala.
Se compararmos com outros países como o próprio Estados Unidos, os brasileiros de hoje seriam menos adaptáveis a uma exploração do espaço ou de Marte? 
Pontes: Não. Temos jovens brilhantes no Brasil. Espero poder ajudá-los a realizar essas missões.

Diplomacia no Espaço
 
A Estação Internacional Espacial possui os Estados Unidos e a Rússia, antigos inimigos de Guerra Fria, como parceiros majoritários. Montado por módulos desses e de outros países parceiros, a ISS não pode ter fins militares. Para Marcos Pontes, que treinou para viajar com os norte-americanos, e teve que se adaptar a uma viagem com os russos, o espaço se coloca como oportunidade para um novo arranjo político e social.
A ISS une duas grandes potências mundiais (EUA e Rússia) que vivem em grande tensão. Essa tensão é sentida também no espaço? Ou a política ganha novos sentidos no espaço?
Pontes: Uma das belezas do programa da ISS é poder mostrar na prática que é possível convivermos em paz, independentemente de partidos políticos, religião, raça etc. Todas essas divisões são criadas por pessoas ou organizações que, de uma forma ou de outra, lucram com os resultados ruins advindos (guerras, desentendimentos etc). O ser humano intrinsecamente foi criado para conviver bem socialmente. Coloque crianças de todos os países diferentes para brincar juntas e verás que, em poucos minutos, não há barreiras de cultura, língua etc. As tensões políticas são criadas sempre com o interesse de alguém. Se esses pessoas realmente dependessem (ou tivessem a noção que realmente dependem) da vida umas das outras, isso não seria assim.
Cerca de 80 milhões de quilômetros separam a órbita terrestre da marciana. Mesmo assim, a Europa e a América do Norte realizam uma nova corrida espacial de colonização do planeta vermelho. A ideia é levar uma tripulação de novos colonizadores com passagem somente de ida. O projeto audacioso ganhou impulso com a descoberta da existência de água líquida salgada e corrente em Marte.
Mas quando falamos em sustentabilidade, será que não era melhor se focar na Terra em vez de outros planetas? Sobre esses pontos, o primeiro astronauta brasileiro considera que os dois projetos estão interligados.
A ida a Marte é o projeto principal da Nasa no momento. O senhor acredita que é esse o foco correto? Ou deveríamos olhar mais para como garantir uma maior sobrevida da Terra no Universo?
Pontes: As duas coisas são diretamente interligadas. Quando desenvolvermos sistemas para chegar e sobreviver em Marte, também teremos desenvolvido soluções para problemas essenciais da Terra: alimentação, água, energia, saúde etc.
Em Marte, o senhor daria alguma dica de como as pessoas precisariam se relacionar politicamente para serem capazes de, literalmente, sobreviverem ao novo? 
Pontes: Que o dinheiro seja proibido. Que o amor e a compaixão sejam os critérios. Que o conhecimento seja compartilhado com sabedoria. Que a igualdade seja parceira da meritocracia.

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/03/30/astronauta-marcos-pontes-avalia-ida-ao-espaco-10-anos-depois-da-viagem.htm

segunda-feira, 28 de março de 2016

O Projeto misterioso que quer controlar a Gravidade








Ron Evans, a mente por trás do Projeto Greenglow
Ron Evans, a mente por trás do Projeto Greenglow



Na ciência há uma parceria poderosa entre teoria e engenharia. É o que originou a energia atômica, o acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider ou Grande Colisor de Hádrons) e os voos espaciais, para citar exemplos mais famosos.
Os teóricos dizem: "Isso é possível teoricamente". Os engenheiros então buscam descobrir como fazer, confiantes na correção da matemática e da teoria.
As áreas, claro, não se excluem. Teóricos entendem de engenharia. Engenheiros partem de um conhecimento profundo da teoria. Costuma ser uma relação harmoniosa - e competitiva.
Mas às vezes esses mundos podem colidir. Teóricos dizem que algo não é possível e engenheiros respondem: "Vamos tentar assim mesmo - vale conferir."
Há um campo da ciência em que uma disputa como essa se arrasta por anos, talvez a área mais controversa em toda a ciência/engenharia - o controle da gravidade.

 

Tentativa pioneira


Quando o engenheiro aeroespacial Ron Evans procurou seus chefes no final dos anos 1980 na BAE Systems (multinacional britânica de tecnologia aeroespacial e de defesa) e perguntou se o autorizariam a buscar alguma forma de controle da gravidade, eles provavelmente pediram que tomasse um chá e se acalmasse.
O controle da gravidade era uma ideia de ficção científica que todo físico teórico respeitado dizia ser impossível.
Evans admite que convencer os chefes foi tarefa difícil. "Muitos na empresa achavam que não deveríamos tentar porque fazíamos aviões e isso era muito especulativo."
Enfrentar a gravidade com asas e turbinas era o negócio bilionário da BAE, então por que se aventurar em heresias científicas? Evans justifica: "O potencial era absolutamente enorme. Poderia mudar totalmente a engenharia aeroespacial."
Se fosse possível fazer a gravidade empurrar em vez de puxar, eles teriam uma fonte potencialmente infinita - e gratuita - de propulsão. Isso colocaria a BAE Systems na dianteira da maior revolução tecnológica desde a invenção do voo a motor. Talvez valesse tentar.
Pediram a Evans que se reunisse com sua equipe e voltasse com alguns conceitos. Ele apresentou um desenho de um avião de decolagem vertical, alimentado por um "motor de gravidade" ainda inexistente.
Para o rascunho ficar ainda mais visionário, ele pediu ao desenhista incluir alguns raios verdes saindo do avião - um brilho verde. Quando os chefes de Evans decidiram autorizar uma pequena verba e um escritório, nasceu o Projeto Greenglow (brilho verde, em inglês).
Evans logo descobriu que poderia convidar engenheiros em universidades britânicas de ponta para colaborar com a pesquisa, e não era apenas curiosidade acadêmica. Como a BAE, todos estavam atrás do novo paradigma da propulsão - asas e turbinas tinham chegado no limite.



Um dos rascunhos originais do Projeto Greenglow

 

Esforços paralelos

Na Nasa (agência espacial americana), o engenheiro aeroespacial Marc Millis começou um projeto paralelo - o programa Breakthrough Physics Propulsion. A Nasa tinha prometido ir além do Sistema Solar em uma geração, mas sabia que foguetes convencionais nunca levariam seus astronautas até lá.
"Se você quiser ir até nossa estrela vizinha mais próxima, e digamos que queira fazer isso em 50 anos, você teria que ir a um décimo da velocidade da luz. Bem, a quantidade de propulsor que precisaria é aproximadamente a massa de todo o Sol. Precisamos de algo completamente diferente", diz Millis. Como Evans, o conselho a ele foi: "Pense radicalmente, e pense grande."
Sem aviso prévio, um cientista russo chamado Eugene Podkletnov disse ter encontrado a resposta por acidente. Ainda na década de 1990, ele relatou ter observado um "escudo antigravitacional" ser formado em um objeto suspenso sobre um supercondutor giratório.
Centros de pesquisa pelo mundo, como o Greenglow e a Nasa, embarcaram na onda e tentaram reproduzir a proposta de Podkletnov. Falharam.
Em Dresden, na Alemanha, Martin Tajmar recebeu recursos para tentar toda alternativa possível. O programa espacial alemão estava tão sedento como os EUA por uma revolução nessa área. "A antigravidade é como dizer: 'Sim, estou tentando fazer o impossível'. Mas fique sempre pronto para uma surpresa", afirma Tajmar.

 

Impasse nas pesquisas


Para cientistas como John Ellis, do Cern (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), não foi surpresa quando nada de novo apareceu. "Esse sujeito tinha a ideia que brincando com supercondutores poderia mudar a força do campo gravitacional da Terra? Besteira!"
Novos trabalhos de Podkletnov não atingiram o mesmo sucesso do primeiro, e não faltaram físicos para apontar as razões.
Primeiro de tudo, havia o problema de escala, como Clifford Johnson, da Universidade do Sul da Califórnia, explica.
"Tendemos a pensar na gravidade como muito forte - afinal é o que nos segura à Terra. Mas é a mais fraca das forças que conhecemos na natureza. É, por exemplo, 10 vezes elevado à 40ª potência mais fraca do que o eletromagnetismo - é 1 com 40 zeros na frente."
Parecia que mesmo se alguém conseguisse manipular a gravidade em laboratório, não havia nada de útil a fazer com ela. Em suma, para alterar a gravidade de um planeta, você precisa da massa de outro planeta.

 

Luz no fim do túnel


E justamente quando os engenheiros pareciam estar ficando sem ideias, os físicos teóricos jogaram uma boia nesse oceano.
Uma descoberta recente mostrou que o universo não está apenas se expandindo, mas acelerando em sua expansão, e de repente os teóricos tinham coisas a explicar.
Como conta Tamara Davis, da Universidade de Queensland, na Austrália. "Algo está acelerando as galáxias umas das outras. A gravidade parece estar 'empurrando'."
Alguns teóricos agora estão desafiando padrões para apresentar explicações radicais. Entre eles está Dragan Hajdukovic, do Cern, que desenvolveu uma teoria que aponta a existência da chamada polaridade gravitacional.
"Até agora acreditamos que a gravidade é apenas uma força de atração. Pode ser que seja também uma força de repulsão, mas não entre matéria e matéria, mas entre matéria e antimatéria."
É uma teoria que o Cern se prepara para testar no próximo ano. Se Hajdukovic conseguir provar que partículas de antimatéria caem "para cima", abrirá a possibilidade para alguma forma de antigravidade demonstrável na Terra - e certamente levaria um prêmio Nobel nessa história.
Mesmo se ele estiver certo, explorar um fenômeno desse em qualquer sentido prático pode estar além de nossa capacidade de engenharia.

 

Empurrando os limites


Ideias ainda mais ousadas estão agora na mesa. Por exemplo, uma proposta encabeçada por Tajmar é usar um conceito puramente teórico, o de massa negativa.
Teoricamente, quando a massa negativa é aproximada da massa positiva, poderia criar uma força de repulsão potente - uma força de aceleração infinita, ou a dobra espacial, para usar o termo da série de ficção Jornada nas Estrelas.
Johnson, da Universidade do Sul da Califórnia, logo aponta alguns obstáculos teóricos - isso inverteria o modelo aceito de espaço-tempo universal de Einstein e tornaria a física atual um pesadelo.
A objeção de Davis, de Queensland, é mais prática: "É melhor que você não goste das pessoas que você quiser visitar em sua dobra espacial, porque você iria aniquilá-las no processo de chegar até lá."
Agora que existem teorias de como a antigravidade pode funcionar, são os engenheiros que aparentemente não conseguem meios práticos de tirá-las do papel.
Ron Evans se aposentou quando o Projeto Greenglow finalmente foi encerrado, em 2005, sem nenhuma forma prática de controle da gravidade a oferecer. Mas a história não terminou ali.

 

Um novo caminho?


Um aparelho sobreviveu, quase sem ser notado, dos dias do Greenglow - um motor de propulsão eletromagnética chamado EM Drive, criado pelo engenheiro aeroespacial britânico Roger Shawyer.
E o que diferencia o EM Drive de outros conceitos? "Não estamos mais tentando controlar a gravidade em si. Estamos vencendo a gravidade da maneira mais esperta."
Em testes, o EM Drive parece se mover pela sua própria propulsão.
Shawyer diz que seu conceito usa uma propriedade conhecida da energia de micro-ondas chamada "cut-off" para gerar empuxo.
Segundo Shawyer, a forma cônica da caixa fechada faz com que as micro-ondas efetivamente parem em um extremo da cavidade, enquanto continuam a vibrar uma contra as outras, criando uma diferença de pressão.
Com um suprimento de energia solar, Shawyer diz que poderia acelerar o EM Drive em qualquer direção de maneira quase contínua.
"Você de repente teria um motor de elevação, que simplesmente paira ali ou de fato acelera para cima. Então você pode vislumbrar o lançamento de grandes cargas no espaço, controlado por uma espaçonave guiada por um EM Drive."
Teóricos são céticos sobre essas afirmações, porque o EM Drive parece desafiar a lei de Newton sobre a conservação do momento linear.
"Com o EM Drive, diferentemente de um foguete, nada sai dele. Não sei como você pode gerar movimento de nada", diz John Ellis, do Cern.
Engenheiros como Ron Evans são mais pragmáticos. "É o experimento que conta. Se funciona, cabe aos teóricos colocar de pé uma teoria que o explique."
Os testes e os debates continuam. Enquanto isso, a fabricante de aviões Boeing aparentemente já patenteou sua própria versão do EM Drive e o Pentágono demonstrou interesse na tecnologia. Vale ficar de olho.

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2016/03/23/greenglow-o-projeto-misterioso-que-quer-controlar-a-gravidade.htm

sexta-feira, 25 de março de 2016

Cometa dará "rasante" sobre a Terra

Cometa fará "rasante" sobre a Terra nesta terça.

(Outro só em 150 anos) 





  • Imagem: @Stationcdrkelly/Nasa

    • Dois cometas cruzam a vizinhança da Terra nesta segunda-feira, 21, e na terça, 22, de acordo com o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, a agência espacial americana. Não existe risco de colisão, mas o segundo cometa chegará bem perto do planeta, em termos astronômicos: 3,5 milhões de quilômetros.
      Até hoje só foram registrados dois cometas com trajetórias mais próximas à Terra, em 1770 e em 1983. Só haverá outro cometa tão próximo dentro de 150 anos.
      De acordo com o JPL, o 252P/Linear, com 230 metros de diâmetro, passou no fim da manhã desta segunda a 5,2 milhões de quilômetros da Terra. Já o cometa P/2016 BA14, descoberto em 2016, tem cerca de 115 metros de diâmetro e fará o seu "rasante" de 3,5 milhões de quilômetros nesta terça.

      Gêmeos?

      Os cientistas acreditaram inicialmente que os P/2016 BA14 era um asteroide, quando ele foi descoberto, no dia 22 de janeiro, pelo telescópio PanStarrs da Universidade do Havaí, em Haleakala, na ilha de Maui.
      Mas outras observações feitas por pesquisadores da Universidade de Maryland (Estados Unidos) e do Observatório Lowell, usando o telescópio patrocinado pelo canal de TV a cabo Discovery, mostraram que o objeto possuía uma pálida cauda, indicando que se tratava de fato de um cometa.
      Logo após a descoberta, ao estudar sua trajetória, os cientistas tiveram outra surpresa: o P/2016 BA14 tem uma órbita que se assemelha de forma incomum à do cometa 242P/Linear. Este último foi descoberto em abril de 2000, por cientistas do projeto Lincoln de Pesquisa sobre Asteroides Próximos à Terra (Linear, na sigla em inglês) do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT).
      A aparente coincidência, segundo os cientistas, pode ser uma indicação de que os dois cometas sejam "gêmeos". O P/2016 BA14 tem aproximadamente a metade do tamanho do 252P/Linear e poderia ter se originado do "irmão" maior em um passado distante.
      "O P/2016 BA14 é provavelmente um fragmento do 242P/Linear. Os dois podem estar relacionados porque suas órbitas são notavelmente similares", disse Paul Chodas, pesquisador do JPL em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos).
      "Nós sabemos que os cometas são objetos relativamente frágeis, porque em 1993, quando o cometa Shoemaker-Levy 9 foi descoberto, seus pedaços se desviaram para perto de Júpiter. É possível que em passagem anterior pelo Sistema Solar interno, um pedaço do 252P possa ter se despedaçado, dando origem ao BA14", disse Chodas.

      Hubble

      Segundo o cientista, a fim de investigar a natureza dos dois cometas, o 252P/Linear será observado com o Telescópio Espacial Hubble - que funciona no espectro da luz visível - e o P/2016 BA14 será observado com o Telescópio Espacial Spitzer, que funciona no espectro do infravermelho.
      O 252P/Linear fez sua menor aproximação da Terra às 7h15 desta segunda-feira. O P/2016 BA14 chegará à menor aproximação nesta terça, por volta das 10h30 da manhã (horários de Brasília). Para observar os objetos é preciso usar poderosos telescópios profissionais. 

       Por: http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/03/21/cometa-fara-rasante-sobre-terra-nesta-terca-outro-so-em-150-anos.htm
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