segunda-feira, 27 de maio de 2013

Há 187 anos, nascia astrônomo que descobriu as erupções solares


Em 1º de setembro de 1859, o astrônomo inglês Richard Carrington estava em seu observatório particular, em Redhill, quando observou um fenômeno que mudaria a forma como vemos o Sol. Pelo seu telescópio, o pesquisador notou um forte brilho na nossa estrela, como nunca havia sido visto. 
Dias depois, a Terra sofreu aquela que talvez tenha sido a mais poderosa tempestade geomagnética já registrada, e Carrington havia descoberto as erupções solares.

Richard Carrington nasceu em 26 de maio de 1826. Era filho de um cervejeiro abastado que queria que o rebento seguisse a vida religiosa. Contudo, o jovem inglês, após terminar os estudos no Trinity College, acabou por trabalhar no observatório da Universidade de Durham. Em 1852, decepcionado com a incapacidade do local de conseguir novos equipamentos, decidiu largar o emprego e usar o dinheiro da família para comprar um prédio no qual colocou um telescópio de última geração e contratou um assistente.

O observatório particular foi acabado somente em 1854. A princípio, ele se dedicou a catalogar estrelas - trabalho pelo qual recebeu a medalha de ouro da Royal Astronomical Society em 1859. Mas o Sol também ficou na mira de seu telescópio.

O Evento de Carrington

Foi no mesmo ano que recebeu a medalha, mais exatamente em 1º de setembro de 1859, que Carrington fez sua maior descoberta. O britânico coletava dados com seu telescópio. Como não poderia olhar diretamente para o Sol pelas lentes - o que seria extremamente perigoso sem um filtro adequado -, ele projetava a imagem da estrela em uma tela branca. Anotava tudo que podia, principalmente sobre as manchas solares, um de seus objetos de estudo favorito.

Naquele dia, enquanto coletava dados das manchas, ele registrou pontos intensamente brilhantes no Sol. O brilho rapidamente ficou mais intenso, tanto que ele chegou a pensar que havia luz penetrando em algum buraco da tela, mas como os pontos se moveram junto com as manchas solares, ele descobriu que realmente saíam do Sol.

Carrington tentou chamar alguém para que testemunhasse com ele o fenômeno, mas, quando voltou - segundo ele, cerca de 60 segundos depois -, se surpreendeu ao ver que o brilho havia diminuído. O que ele havia visto era uma erupção solar, a primeira e maior já registrada. O que veio a seguir foi ainda mais surpreendente - e ganhou o nome de Evento de Carrington.

Telégrafos em chamas e show nos céus

Cerca de 18 horas depois, o planeta foi atingido por aquela que pode ter sido a maior tempestade eletromagnética já registrada. Agulhas de bússolas "enlouqueceram". Não havia rede elétrica na época - que costuma ser afetada por erupções solares -, mas os operadores de telégrafos sentiram o impacto. A comunicação cessou, alguns deles levaram choques nas máquinas e fagulhas fizeram com que o papel em alguns desses aparelhos pegasse fogo. Conversas trocadas entre os operadores dessas máquinas indicam que elas continuavam funcionando, mesmo sem bateria, somente com a força da tempestade.

No céu, as auroras boreal e austral foram um espetáculo à parte - e chegaram inclusive ao Caribe. Tudo resultado de um gigantesco choque das partículas do Sol com a magnetosfera da Terra. Em Boston, nos Estados Unidos, a imprensa local relata que moradores achavam que ocorria um grande incêndio na cidade, já que o céu estava vermelho. Foi somente quando a cor mudou para verde que os habitantes notaram do que se tratava. Os cientistas então descobriram a relação entre a erupção solar e as auroras e os estranhos eventos que ocorreram no nosso planeta.

Carrington divide a descoberta com Richard Hodgson, que, de forma independente, também avistou e registrou as erupções. Os dois publicaram o relato no mesmo jornal científico, o Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (em inglês).


Asteroide do comprimento da avenida Paulista sobrevoa Terra este mês.


Um asteroide com 2,7 quilômetros de comprimento, o tamanho da avenida Paulista em São Paulo, vai sobrevoar a Terra no dia 31 de maio, anunciaram nesta sexta-feira (17) investigadores ao site space.com. O corpo celeste, denominado 1998 QE2, não representa uma ameaça para o planeta e passará a uma distância de 5,8 milhões de quilômetros da Terra. A maior distância da Terra a Lua é de 405,7 mil km e do Sol é cerca de 150 milhões de km.

A aproximação do asteroide à Terra será examinada por dois grandes telescópios - o observatório Goldstone, na Califórnia, e o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico. O asteroide 1998 QE2 foi descoberto em agosto de 1998 por astrônomos do projeto Lincoln Near-Earth Asteroid Research (Linear), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

O nome do asteroide vem da organização Centro de Planetas Menores, em Cambridge, que o nomeia de acordo com um sistema alfanumérico que demonstra a data em que o corpo celeste foi descoberto.

Em fevereiro, um asteroide com cerca de 45 metros de diâmetro e 130 mil toneladas passou a  27 mil quilômetros da Terra  sem causar danos ao planeta, horas depois de um meteorito muito menor e inesperado cair na Rússia provocando pânico e sua explosão deixar mais de mil feridos.

Em março,  o asteroide 2013 ET de 140 metros de comprimento, o tamanho de um quarteirão, passou a 950 mil quilômetros da Terra. A distância é cerca de duas vezes e meia a que separa o planeta da Lua.

Diante destes fatos recentes, astrônomos começaram a demonstrar preocupação quanto a possibilidade de a Terra ser atingida por objetos espaciais. "Os grandes asteroides são uma ameaça cada vez maior para a Terra, por isso será preciso investir mais no estudo destes corpos celestes, que até agora não estavam no centro das investigações espaciais", afirmou o cientista Yuri Zaitsev, da Academia de Engenharia da Rússia. Já a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) garantiu que não existe nenhum corpo celeste que represente uma ameaça letal à humanidade nas próximas centenas de anos.

Astrônomos brasileiros localizam gêmea mais distante do Sol


Cientistas brasileiros e do exterior acabam de anunciar a descoberta de uma estrela com as mesmas características do sol. A CoRoT Sol 1, como foi batizada, é atualmente a estrela gêmea mais distante na nossa Galáxia. Esta gêmea solar, como denominam os astrônomos, tem aproximadamente a mesma massa e composição química do sol, com uma idade aproximada de 6,7 bilhões de anos.

"Até o momento, estrelas com características similares à do sol foram encontradas somente na vizinhança solar", conta o professor José Dias do Nascimento Júnior, do Departamento de Física Teórica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e líder da equipe de astrônomos. O professor Jorge Meléndez, do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia e Geofísica (IAG) da USP, também integra a equipe. Sua participação foi essencial na determinação das abundâncias químicas de alguns elementos da estrela CoRoT Sol 1.

Parte da equipe envolvida na descoberta integra a equipe do satélite CoRoT, um projeto internacional que integra pesquisadores da França, Áustria, Bélgica, Brasil, Alemanha e Espanha. O satélite fornece dados espaciais que possibilitam determinar os períodos de rotação das estrelas. As observações de caracterização da estrela CoRoT Sol 1 foram feitas no telescópio Subaru, pertencente ao Observatório Astronômico Nacional do Japão, localizado em Mauna Kea, no Havaí (EUA). As observações com o telescópio Subaru que resultaram na descoberta foram realizadas entre outubro de 2012 e março de 2013.
CoRoT Sol 1 está localizada na constelação do Unicórnio


Mais velha que o Sol
Cientistas já haviam localizado cinco estrelas na vizinhança solar, entre estas a HIP 56948, encontrada pelo professor Jorge Meléndez. Mas nenhuma delas com as características da recém-descoberta. No entanto, a CoRoT Sol 1 tem todas as características de uma gêmea, sendo a única que é ligeiramente mais velha que o sol. Segundo o professor Nascimento, a gêmea já tinha sido observada desde 2007 pelo satélite CoRoT e estava entre as cerca de 230 mil estrelas observadas entre 2007 e 2012.

Com base nos dados do CoRoT os astrônomos sabiam que o seu período de rotação é um pouco maior do que o sol, em torno de 29 dias, o que era esperado pela sua maior idade. A informação foi confirmada com os dados do telescópio Subaru. Além disso, os cientistas descobriram, após análise detalhada, que a gêmea solar é de fato uma estrela com uma massa e composição química semelhante ao sol. E por ser mais velha, é um precioso material para se estudar o futuro do sol. "Embora a composição química global da CoRoT Sol 1 é semelhante ao sol, o seu padrão de abundância detalhada mostra algumas diferenças, como é também apresentada pela maior parte das gêmeas solares próximas que são relativamente mais brilhantes", comenta o professor Nascimento. "A comparação da composição química da gêmea é indispensável para sua caracterização".
CoRoT Sol 1 está localizada na constelação do Unicornio. Ao contrário de outras gêmeas solares, esta estrela é 200 vezes mais fraca do que a gêmea solar mais brilhante conhecida, a 18 Sco. Somente graças à grande área de coleta do telescópio Subaru, foi possível estudar em detalhe o espectro dessas estrelas fracas.

Além dos professores José Dias do Nascimento Júnior e Jorge Meléndez, participaram das pesquisas o doutor Jefferson da Costa e o professor Matthieu Castro (UFRN); o professor Gustavo F. Porto de Mello, do Observatório do Valongo da UFRJ; e o professor Yoichi Takeda, do Observatório Astronômico Nacional do Japão.

Fonte: UOL

sábado, 4 de maio de 2013

Furacão em Saturno pode ajudar a esclarecer fenômeno na Terra


Cientistas da agência espacial americana, Nasa, identificaram que uma tempestade no Polo Norte de Saturno é, na verdade, um furacão com um vórtice (região central do fenômeno) com largura equivalente a 20 vezes o tamanho do olho de um furacão na Terra. Seu tamanho é de 2 mil km, segundo a Nasa.

A tempestade, captada pela sonda Cassini, havia sido divulgada inicialmente em novembro do ano passado, mas somente agora a equipe revelou dados a respeito.
Imagem colorida artificialmente mostra furacão registrado pela sonda Cassini no Polo Norte de Saturno. O olho do furacão se assemelha a uma botão de rosa vermelha.
De acordo com os pesquisadores, a velocidade dos ventos do furacão de Saturno era quatro vezes mais rápida se comparada ao máximo que pode atingir um fenômeno terrestre. 


Por aqui, a velocidade dessas tempestades é subdivida em cinco categorias de força pela escala Saffir-Simpson. Fenômenos classificados na categoria 1 têm ventos de até 152 km/h. Tempestades com ventos entre 153 km/h e 176 km/h estão na categoria 2.

Furacões com ventos entre 177 km/h e 207 km/h são classificados na categoria 3. Foram classificados neste patamar os fenômenos Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005, e matou 1.700 pessoas, e Glória, que 1985 atingiu a região da Carolina do Norte e Nova York e causou oito mortes.

Na categoria 4, os ventos têm velocidade entre 209 km e 250 km. Já os furacões classificados na categoria 5 são aqueles que registram ventos com velocidade acima de 251 km/h, de acordo com o meteorologista do Inmet.

A Nasa afirma que estudar o furacão no Polo Norte de Saturno pode auxiliar em descobertas sobre a formação deles na Terra. O fenômeno climático é resultado da combinação de alta temperatura na superfície do oceano, elevada quantidade de chuvas e queda da pressão do ar (sistema que favorece uma subida mais rápida do ar e uma constante evaporação da água do mar). Esse sistema costuma se formar em áreas próximas à Linha do Equador.

A missão Cassini-Huygens é um projeto de cooperação entre a Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana (ASI). As duas câmeras a bordo da sonda foram projetadas, desenvolvidas e montadas no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em Pasadena, na Califórnia. A equipe que trabalha com as imagens fica no Instituto de Ciência Espacial em Boulder, no Colorado. 
Fontes: G1, Astronews

Possibilidade de vida pode não se resumir a planetas similares à Terra, diz estudo.


Com as diferentes composições, massas e órbitas possíveis para os planetas fora do Sistema Solar, a vida talvez não esteja limitada a mundos similares à Terra em órbitas equivalentes à terrestre. 

Essa é uma das conclusões apresentada por Sara Seager, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, em artigo de revisão publicado no periódico "Science", com base na análise estatística dos cerca de 900 mundos já detectados ao redor de mais de 400 estrelas. 
Seager destaca a possível existência de planetas cuja atmosfera seria tão densa a ponto de preservar água líquida na superfície mesmo a temperaturas bem mais baixas que a terrestre. 

Como todas as formas de vida conhecidas dependem de água, sua presença na superfície é tratada como o ponto central da definição de "habitabilidade". Mundos habitáveis tradicionalmente seriam aqueles que, como a Terra, estão a uma distância tal de sua estrela que, com uma atmosfera pouco densa, poderiam ter corpos d'água estáveis no solo. 

Contudo, um consenso emergente é o de que a extensão dessa zona habitável depende fundamentalmente das características intrínsecas dos planetas em questão e pode se estender a uma área que iria além da órbita de Júpiter, no Sistema Solar, se o mundo orbitando ali tivesse uma composição adequada. 
"As possibilidades mais amplas aumentam a chance futura de descobrirmos um mundo habitado", afirma Seager. 

Já fora do Sistema Solar, os grandes candidatos a abrigar vida são os "Keplers", exoplanetas descobertos pelo telescópio da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana). Esta concepção artística compara os tamanhos dos exoplanetas Kepler-22b, Kepler-69c, Kepler-62e e Kepler-62f com o da Terra. Todos estão na zona habitável de suas respectivas estrelas.

Arquiteturas 

Graças ao número crescente de descobertas, finalmente os astrônomos começam a entender a natureza da formação dos sistemas planetários. 

A boa notícia: é bem parecido com o que sugeria a teoria, criada na época em que só tínhamos um exemplar conhecido, o Sistema Solar. A realmente boa: existem muito mais variações para a evolução desses sistemas do que os cientistas antes imaginavam. 

Na prática, isso quer dizer que a arquitetura básica vista em nosso sistema, com os planetas pequenos rochosos mais próximos da estrela e os gigantes gasosos mais distantes, é apenas um dos possíveis desfechos da formação planetária. 

Duas técnicas 

A imensa maioria dos planetas descobertos fora do Sistema Solar foi revelada por meio de duas técnicas. A mais antiga e eficaz até hoje é a que mede variações na luz da estrela causadas pelo bamboleio que ela faz conforme planetas giram ao seu redor. Como ela mede diretamente o efeito da gravidade do planeta sobre sua estrela, é possível ter uma boa estimativa de sua massa. 

A segunda técnica envolve a observação de trânsitos --minieclipses causados pela passagem dos planetas à frente de sua estrela--, que só ganhou grande impulso quando foram lançados satélites especializados em detectá-los. A detecção do trânsito é feita pela medição da redução do brilho da estrela causada pela passagem do planeta. É, portanto, uma boa medida do tamanho. 
Juntas, as duas técnicas permitem uma caracterização mais precisa dos planetas extrassolares. Afinal, com a massa e o tamanho, pode-se calcular a densidade. 

A densidade, por sua vez, é uma pista bastante concreta da composição. Foi assim, por exemplo, que os cientistas conseguiram confirmar que pelo menos alguns dos planetas categorizados como "superterras" --por serem maiores que a Terra, mas menores que os menores planetas gigantes do Sistema Solar-- são rochosos como o nosso mundo. 

Contudo, nem sempre se pode aplicar as duas técnicas ao mesmo tempo. Enquanto a medição do bamboleio gravitacional é difícil para planetas menores e mais distantes da estrela, a técnica do trânsito depende do alinhamento apropriado do sistema planetário, de forma que os minieclipses possam ser observados daqui. 
Ainda assim, conhecendo bem os viéses que cada técnica produz, os cientistas são capazes de compensar matematicamente as falhas para apresentar um quadro estatístico mais seguro dos planetas extrassolares. 

É basicamente o que traz Andrew Howard, da Universidade do Havaí em Manoa (EUA), em outro artigo de revisão publicado no especial de exoplanetas da "Science". 
Sabe-se hoje, por exemplo, que planetas menores são bem mais comuns na Via Láctea que os gigantes. Contudo, as Terras não são mais comuns que as superterras. Aparentemente, o número de planetas vai aumentando em razão inversa do tamanho (ou seja, quanto menor, mais planetas) até atingir um valor crítico de pouco menos de 3 vezes o diâmetro da Terra. Daí para baixo, a prevalência é aproximadamente igual. 
Fontes: Astronews, UOL

sábado, 27 de abril de 2013

Analise de Pulsar com VLT comprova Teoria da Relatividade proposta por Einstein


Uma equipe internacional de astrônomos descobriu a estrela de nêutrons mais pesada já vista pelo homem – destaca artigo publicado nesta quinta-feira (25) pela Science. Com apenas 20 quilômetros de diâmetro, o pulsar PSR J0348+0432 chega a ser duas vezes mais massivo que o Sol, criando uma “supergravidade” em sua superfície, com uma intensidade 300 bilhões de vezes maior que a sentida na Terra. Esse peso pesado do Universo, que gira em torno de seu próprio eixo 25 vezes por segundo, vive com uma anã branca, que a orbita a cada duas horas e meia, em um exótico sistema binário de estrelas. Segundo o autor da pesquisa, John Antoniadis, do Instituto Max Planck, da Alemanha, esse pulsar "é também um excelente laboratório para a física fundamental", pois comprova a Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein, em que a gravidade é consequência da curvatura do espaço-tempo criada pela presença de objetos com muita matéria e energia. (ESO)


Esse raro par de estrelas, descoberto no observatório óptico de Cerro Paranal, no deserto do Atacama, no norte do Chile, permitiu confirmar até agora a teoria da relatividade de Albert Einstein, informou esta quinta-feira o Observatório Europeu Austral (ESO).
"Até agora, as novas observações se encaixam exatamente nas previsões da relatividade geral e são inconsistentes com algumas teorias alternativas", acrescentou.
A estrela de nêutrons é um pulsar que emite ondas de rádio, captadas na Terra pelo potente telescópio Very Large Telescope (VLT) e outros radiotelescópios, o que permitiu investigar o par de estrelas e pôr à prova os limites da teoria física.
A teoria da relatividade geral de Einstein, que explica a gravidade como uma consequência da curvatura espaço-tempo, criada pela presença de massa e energia, passou em todas as provas desde que foi apresentada pela primeira vez há quase cem anos, destacou o comunicado.
"Nossas observações em rádio eram tão precisas que já pudemos medir uma mudança no período orbital de 8 milionésimos de segundo por ano, exatamente o que prevê a teoria de Einstein", afirmou o cientista português Paulo Freire, um dos astrônomos que participaram do estudo, publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.

Fontes: ESO, Uol e G1

terça-feira, 5 de março de 2013

Elementos básicos para vida na Terra chegaram via cometas, diz estudo


         O choque com um cometa pode ter trazido para a Terra elementos essenciais para o desenvolvimento da vida. Novo experimento da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e da Universidade do Havaí, em Manoa, mostrou que no espaço há condições de se criar dipeptídeos complexos – pares ligados de aminoácidos – que são essenciais para a vida.
Assim, abre-se a possiblidade de essas moléculas terem sido trazidas para a Terra por um cometa, o que catalisou a formação de proteínas (polipeptídeos), enzimas e até moléculas mais complexas como açúcares.


Em uma câmara de ultra vácuo refrigerado a 10 graus acima do zero absoluto (10 Kelvin), os cientistas da equipe havaiana, Seol Kim e Ralf Kaiser, simularan uma bola de neve no espaço, incluindo dióxido de carbono, amônia e vários hidrocarbonetos, como metano, etano e propano.
Quando ela foi bombardeada com elétrons de alta energia, que simulam os raios cósmicos no espaço, as substâncias químicas reagiram para formar complexos compostos orgânicos, especificamente dipeptídeos, considerados essenciais para a vida.
Na Universidade da Califórnia, os pesquisadores analisaram os compostos orgânicos e revelaram a presença de nove diferentes aminoácidos e de, pelo menos, dois dipeptídeos.
"É fascinante a considerar que os mais básicos blocos bioquímicos que levaram à vida na Terra podem ter tido uma origem extraterrestre", disse Richard Mathies, químico da Universidade da Califórnia e coautor do artigo publicado on-line na semana passada e prevista para a versão imprensa de 10 de março do Astrophysical Journal.

Fontes: Notícias Uol

segunda-feira, 4 de março de 2013

Astronomia na Praça - Bairro Cehab


Mas uma vez fomos à rua e dessa vez escolhemos o pátio da Escola Municipal Francisco Ligiero, na Cehab, para levar a população a inserção na ciência pela Astronomia!



Além da tradicional observação, também levamos vídeos e slides para atiçar a curiosidade da garotada. Na ocasião apontamos as lentes focando principalmente a Lua e Júpiter e a olho nu observamos constelações contanto um pouco da história das estrelas e suas mitologias.




O próximo Astronomia na Praça será provavelmente no Ciep do bairro São Matheus, aguarde para mais informações! 


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Há 540 anos nascia Nicolau Copérnico, um dos pais da Astronomia Moderna




De olho em Marte e asteroides rasantes, a astronomia ganha destaque no noticiário e ocupa, cada vez mais, um espaço central nos avanços e esforços científicos do século 21. Não seria assim se um indivíduo nascido há exatos 540 anos nesta terça-feira não fosse fascinado pelos céus. O polaco Nicolau Copérnico (Torun, 19 de fevereiro de 1473 — Frauenburgo, 24 de maio de 1543) recolocou o Sol em seu devido lugar, criou um modelo heliocêntrico e forneceu o ponto de partida para a astronomia moderna. Seu livro derradeiro, De revolutionibus orbium coelestium ("Das revoluções das orbes celestes"), foi publicado em seu último ano de vida e ensejou a chamada Revolução Copernicana.
A contribuição de Copérnico para a ciência é mais complexa do que se supõe normalmente. Não se pode dizer que ele tenha criado a teoria do heliocentrismo nem que tenha revolucionado sozinho a astronomia. De acordo com Nigel Bannister, professor do departamento de Física e Astronomia da Universidade de Leicester, no Reino Unido, o cientista não poderia ser considerado “o pai da astronomia moderna”, como muitas pessoas o tratam. “Títulos assim são sempre problemáticos. Não há dúvida de que Copérnico deu enormes contribuições à astronomia, e é certamente um dos gigantes na história da astronomia como uma ciência moderna, mas existem muitos outros que fizeram descobertas ou postularam teorias que são tão importantes quanto. Eu tenderia a chamá-lo de um dos pais fundadores da astronomia moderna, já que seu trabalho promoveu uma grande mudança na compreensão do sistema solar e do nosso lugar no universo”.
No século 16, época de Copérnico, a teoria de Ptolomeu, de que a Terra encontrava-se no centro do universo, não era apenas observação empírica, destituída de instrumentos apropriados, mas também de crença religiosa. Para substituir o geocentrismo pela ideia de que era o nosso planeta que girava em torno do Sol, o cientista e matemático polonês partiu de fundamentos gregos propostos por Aristarco de Samos 1,8 mil anos antes. “Como era praxe no renascimento, ele foi buscar nos clássicos gregos uma inspiração”, afirma Augusto Damineli, professor de pós-graduação do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). “Ele retomou a ideia de que seria mais natural que os corpos menores girassem em torno do maior (o Sol). Remontou então esse sistema que havia sido abandonado 250 anos antes de Cristo e colocou nele os avanços dos sistema geocêntrico (excêntricos, epiciclos e deferentes)”.

Modelo Heliocêntrico proposto por Copérnico
O polonês contribuiu para a ideia de Aristarco com relações matemáticas que faltavam no trabalho original. “Mas, infelizmente, seu argumento matemático estava errado”, afirma Bannister. “Embora tenha posicionado o Sol corretamente no centro do Sistema Solar, para reproduzir os movimentos dos planetas em sua descrição matemática, ele manteve as órbitas perfeitamente circulares que Ptolomeu havia proposto. Então Copérnico, assim como Ptolomeu, ainda precisava usar epiciclos para explicar os movimentos dos planetas. Seus epiciclos eram menores do que os de Ptolomeu, com certeza, mas era a abordagem errada”.
Mais tarde, Johannes Kepler descobriu que órbitas elípticas eram a resposta para descrever os movimentos planetários. “A tal ‘Revolução Copernicana’ precisou de várias outras contribuições para acontecer”, explica Damineli. Assim, segundo ele, a mudança de paradigma se deve ao resultado combinado da teoria de Copérnico com avanços posteriores, de nomes como Kepler, Galileu Galilei, Tycho Brahe e Isaac Newton.

A igreja e o geocentrismo

A religião acompanhou Copérnico desde cedo. Órfão aos 10 anos de idade, o garoto foi criado pelo tio, então bispo de Ermland. Mais tarde, uma de suas irmãs virou freira, e um de seus irmãos, padre. Já adulto, Copérnico conciliou suas atividades como astrônomo, matemático e jurista com o trabalho de cônego na Igreja Católica de Frauenburgo.​
Paradoxalmente, as ideias de um cientista tão influenciado pela igreja iam de encontro ao que a religião pregava. Para o catolicismo, a Terra era o centro do universo. Tratava-se de suposição válida, contando os instrumentos de observação disponíveis, a tendência ao antropocentrismo e uma interpretação rígida da bíblia. Contudo, mesmo naquela época, Copérnico não era uma voz única. Havia outros cientistas com ideias semelhantes, a quem o polonês ofereceu leituras de sua teoria antes que ela fosse publicada.

Nova vida a uma ideia antiga

Estatua de Nicolau Copérnico em
Varsóvia, Polônia

O livro De revolutionibus orbium coelestium veio a público apenas em 1543, pouco depois da morte de Copérnico, aos 70 anos. Devido ao falecimento do autor e a um capítulo inicial relativizando as posições defendidas pelo cientista - supostamente escrito por outra pessoa, à sua revelia -, o material não causou grande controvérsia. Assim, o astrônomo foi poupado do fanatismo religioso que levou, no século 17, Galileu Galilei à prisão. 
Além de suas próprias e revolucionárias descobertas no campo da física e da astronomia, Galileu defendia e aprimorava a visão de Copérnico, em contraposição ao geocentrismo defendido pela Igreja Católica. Com essa posição, foi conduzido aos tribunais da inquisição. Acusado e ameaçado, teve de se retratar. O cientista estava certo, mas a igreja não concedeu tão rapidamente. Somente 350 anos após a morte de Galileu, no dia 31 de outubro de 1992, o papa João Paulo II reconheceu os enganos cometidos pelo tribunal eclesiástico.
Muito antes da inquisição, colocar a Terra no centro do mapa espacial foi um erro. Já se teorizava que o nosso planeta orbitava o Sol antes do nascimento do astrônomo polonês, em 1473. Mas os cálculos e a coragem do cientista foram responsáveis por “dar nova vida a uma ideia muito antiga e por sua adoção na ciência moderna”, segundo Bannister. Hoje, depois de muito tempo, apoiado pela astronomia e por cientistas como Copérnico, o homem enxerga mais longe.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meteoro na Rússia causa grande estragos, embora não tenha atingido o solo


 Pelo menos 1200 pessoas ficaram feridas depois de um meteoro de 10 a 40 toneladas ter-se desintegrado na atmosfera, sobre a Rússia, despejando meteoritos na região de Cheliabinsk, a leste dos montes Urais.
Os habitantes de Cheliabinsk foram surpreendidos, cerca das 9h30 (3h30 em Lisboa), por um rasto incandescente a cruzar o céu, seguido de um intenso clarão. Uma grande explosão ouviu-se depois, partindo vidros, danificando coberturas e fazendo disparar os alarmes dos automóveis. Muitos dos feridos foram atingidos por estilhaços dos vidros.

Vídeo mostra momento exato da passagem do meteoro pelo céu da Rússia

A zona mais afectada fica perto da cidade de Cheliabinsk. O estado de emergência foi declarado em três distritos da região - Krasnoarmeisky, Korkinsky e Uvelsky. Entre os feridos contavam-se, segundo a agência Itar-Tass, mais de 200 crianças.
Num balanço apresentado ao princípio da noite, hora local, contavam-se 170 mil metros quadrados de vidros partidos, 2962 edifícios de apartamentos e 361 escolas danificadas. A principal prioridade do Governo era a de acalmar a populalão e reinstalar os vidros no menor espaço de tempo possível, dada as temperaturas polares que se sentem naquela região nesta altura.
Uma fonte do Ministério do Interior russo citada pela AFP refere estragos materiais em seis cidades. A agência RIA Novosti diz que foram atingidas três regiões da Rússia e do vizinho Cazaquistão.
"Informações verificadas indicam que foi um meteoro que se incendiou quando se aproximou de Terra e se desintegrou em pequenas partes", disse Elena Smirnykh, do Ministério das Situações de  Emergência, citada pela RIA Novosti. Segundo a agência espacial russa, Roscomos, deslocava-se à velocidade de 30 quilómetros por segundo.
Vários meteoritos terão atingido o solo.“Houve dezenas de fragmentos consideravelmente grandes, alguns dos quais chegaram ao solo”, disse o ministro russo das Situações de Emergência, Vladimir Puchkov, citado pelo agência. “Equipas especiais de cientistas estão no local a estudar estes fragmentos.”
Imagens mostram um círculo geometricamente talhado por um destes fragmentos que caiu sobre um lago congelado próximo da cidade de Chebakul.
A Roscomos informou que é difícil prever este tipo de ocorrência. "Segundo a informação disponível, o objecto não foi registado pelos sistemas de observação espacial russo ou estrangeiros devido às características especiais da sua movimentação. A entrada destes objectos na atmosfera é acidental e difícil de prever."


Após sua passagem, o meteorito causou um "boom sônico", que provocou sérios danos na cidade russa afetada.

O Governo diz que não há danos nas unidades militares existentes na região. Os prejuízos materiais terão sido provocados sobretudo pelas ondas de choque de uma explosão, audível em vários vídeos que captaram a ocorrência.
Testemunhas na cidade de Cheliabinsk ouvidas pela Reuters dizem ter visto, às primeiras horas da manhã, objectos brilhantes a caírem do céu. Ouviram estrondos, sentiram edifícios a abanar e os alarmes de carros dispararam na mesma altura. "Definitivamente não foi um avião [em queda]", disse um responsável da protecção civil, ouvido pela agência Reuters, pouco depois da ocorrência.
No Youtube há diversos vídeos filmados a partir de carros em movimento que mostram claramente a passagem do meteoro, como um objecto muito luminoso, a grande velocidade, e que provoca um grande clarão, deixando um rasto de fumo à passagem. Num dos vídeos vê-se ainda o que parece ser a desintegração do meteoro em partículas mais pequenas.
Não há qualquer relação deste episódio com a passagem do asteróide DA14, que se aproxima nesta sexta-feira da Terra e poderá ser visto com binóculos. “Não há ligação com isso”, diz Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa. O mais provável é que o meteoro russo venha da cintura de asteróides localizada entre Marte e Júpiter, que é a origem da esmagadora maioria de corpos celestes que chegam à Terra.
Filipe Pires, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), concorda que este fenómeno não estará relacionado com o asteróide DA14.
“É uma coincidência”, acredita, confirmando que ainda assim estamos perante algo que é muito raro.

Uma "estrela cadente" mas mais perto

Filipe Pires, ouvido pelo PÚBLICO de manhã, suspeitava que se tratasse de um meteoro com cerca de um metro, que causou uma onda de choque quando entrou na atmosfera e se desfez. O que se terá passado na Rússia, simplifica Filipe Pires, é o resultado do que normalmente chamamos “estrela cadente” mas maior e mais perto.


Rastro deixado pelo meteorito após sua passagem (Reuters)

Quando penetrou na parte mais densa da atmosfera, desfez-se e provocou as várias ondas de choque que vemos nas imagens de vídeo amador que estão a ser mostradas na Internet. 
Filipe Pires ajuda-nos a ter uma imagem aproximada do que aconteceu: “É como o que acontece quando damos um mergulho na água, provocamos aquelas ondas. A água, neste caso, é a atmosfera. Mas não tocámos o fundo da piscina, que seria a Terra.”
Mais tarde, a Academia Russa de Ciências estimou que se tratasse de um objecto bem maior, com cerca de 10 toneladas de peso quando entrou na atmosfera. A astrónoma Margaret Campbell-Brown, da Universidade de Western Ontario, no Canadá, reviu em alta esta estimativa, dizendo à revista Nature que o corpo celeste teria 15 metros de diâmetro e 40 toneladas.
Na interpretação dos astrônomos, a explosão que se ouve claramente em diversos vídeos corresponde à passagem do meteoro pela barreira do som, e não ao intenso clarão que se vê nas imagens. Um meteoro entra na atmosfera a uma velocidade hipersónica – de milhares de metros por segundo – e vai travando até chegar ao limite da velocidade do som (340 metros por segundo). “Neste momento, ocorre uma explosão sónica. É o contrário dos aviões.” Pelas imagens, observamos que o meteoro ter-se-ia dividido em vários fragmentos. Só quando se encontram fragmentos no solo é que se fala em "meteoritos".


Vidros quebrados e explosões após a passagem do meteoro


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