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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Pesquisadores descobrem outro planeta com anel no sistema solar


O universo é vasto, movimentado e não para de surpreender. A última descoberta foi sobre Haumea, um dos corpos mais exóticos do Sistema Solar, que acaba de ganhar mais uma surpreendente característica: é o primeiro planeta anão a ter anel detectado em seu entorno. A descoberta, objeto de artigo publicado em outubro na revista Nature, foi realizada por equipe liderada pelo espanhol Jose Luis Ortiz, do Instituto de Astrofísica de Andalucía, e contou com a participação de brasileiros, incluindo os astrônomos Gustavo Benedetti Rossi, do programa de Apoio ao Pós-Doutorado, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e Roberto Vieira Martins, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Ambos são do Observatório Nacional (ON) e filiados ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA). "O apoio da FAPERJ tem sido importante para manter o funcionamento do grupo de ocultações estelares por objetos transnetunianos que lidero, tanto para permitir nossos deslocamentos para observação de ocultações estelares, como para aquisição e expansão de computadores para previsão dos eventos e redução de dados e ainda para participação em importantes reuniões nacionais e internacionais", diz Martins.


Além do anel recém-descoberto, o estudo ainda define algumas das peculiares características do Haumea, como seu formato alongado. “Apesar de ter dimensões comparáveis às de Plutão, ele se assemelha a uma bola de rúgbi, o que pode ser consequência de sua rotação, uma das mais rápidas da região transnetuniana, levando apenas 3,9 horas para dar uma volta em torno de seu eixo. O planeta anão possui ainda dois satélites, Hi’iaka e Namaka, e, provavelmente, uma enorme mancha vermelha em sua superfície. Como se não bastasse, ele é o maior membro da única família colisional – grupo de objetos com características físicas e orbitais similares e que se formaram a partir de um impacto – conhecida de objetos da região transnetuniana” diz Martins.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Telescópio Hubble descobre 5º satélite natural de Plutão!

As agências espaciais europeia (ESA) e americana (NASA) divulgaram nesta quarta-feira, 11 de julho, a descoberta de uma nova lua em Plutão feita com o uso do telescópio Hubble. Segundo as agências, estima-se que ela tenha entre 10 e 25 km, formato irregular e uma órbita de aproximadamente 95 mil km ao redor do planeta anão.
A maior lua de Plutão, Caronte, foi descoberta em 1978. Somente em 2006, o Hubble foi achar mais dois corpos ao redor do planeta anão - Nix e Hidra. Em 2011, foi encontrado o quarto satélite natural, chamado por enquanto de P4. A nova lua é designada temporariamente como "S/2012 (134340) 1", ou apenas P5.
Imagem feita pelo Hubble mostra a recém-descoberta lua P5, ao lado das já conhecidas Nix, Hidra, Caronte e P4, que orbitam o planeta anão Plutão.
Mas por que Plutão, um corpo tão pequeno que nem é considerado planeta, tem tantos satélites naturais? Uma teoria afirma que isso seria resultado de um choque com outro objeto transneptuniano (aqueles que ficam além de Netuno, o último planeta do Sistema Solar). Os escombros dessa colisão teriam dado origem a P5 e suas "irmãs".
O time de astrônomos, liderados pelo Instituto SETI (sigla em inglês para "busca por inteligência extraterrestre"), utilizou nove conjuntos de imagens registrados pelo telescópio entre 26 de junho e 9 de julho deste ano.
A sonda New Horizons está a caminho de Plutão e deve fazer o primeiro sobrevoo em 2015 - o resultado, espera a NASA, serão as primeiras imagens detalhadas já feitas do planeta anão e suas luas, que estão tão distantes que até mesmo o Hubble tem dificuldade em registrá-los.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Demais Objetos Transnetunianos


            Além dos cinco planetas-anões (ou plutóides) presentes no Cinturão de Kuiper, há diversos outros corpos celestes que orbitam ao redor do Sol e situam-se permanentemente ou em períodos (como Sedna) no Cinturão. Abaixo veremos em mais detalhes quatro destes corpos, Sedna, Orcus, Quaoar e Varuna.

 Os Principais objetos transnetunianos em comparação com a Terra.

 Sedna, o mais distante

           Sedna foi observado pela primeira vez em, 14 de Novembro de 2003, pela equipe liderada por M. Brown (Instituto Tecnológico da Califórnia, EUA), utilizando o Telescópio Samuel Oschin (Caltech), no Observatório Palomar. 
Os astrónomos estimam que Sedna  está a 13 mil milhões de quilómetros do Sol, ou seja, 90 UA (90 vezes a distância Terra-Sol), o que faz deste planetoide o objeto mais distante no Sistema Solar a ser detectado até hoje.
Outras características distinguem este objeto: a sua grande dimensão (entre 1/2 e 3/4 do tamanho de Plutão); a sua cor vermelha, pois a seguir a Marte, é o objeto mais vermelho do Sistema Solar; e a sua órbita extremamente elíptica.
A equipe de investigadores responsável pela descoberta sugeriu à União Astronómica Internacional que o planetoide 2003 VB12 fosse chamado oficialmente Sedna, como a deusa do Oceano Ártico da mitologia Inuit (esquimó), devido às suas temperaturas extremamente frias. O planetoide Sedna encontra-se muito longe do Sol, numa região muito fria do Sistema Solar, onde a temperatura não ultrapassa os –240°C.
Mas, a maior parte do tempo, o planetoide encontra-se a temperaturas ainda mais negativas, pois na sua órbita de 10500 anos à volta do Sol, ele chega a estar a 130 mil milhões de quilómetros do Sol, ou seja, a 900 UA!
Os astrônomos não podem medir o diâmetro do planetoide diretamente, mas podem estimá-lo indiretamente: como sabem a distância a que Sedna se encontra, sabem a sua temperatura (cerca de –240°C); então, observando o planetoide com um telescópio térmico, que mede o calor do objeto observado, podem inferir o seu tamanho. As tentativas de observação de Sedna com o Telescópio Espacial Spitzer (NASA) resultaram na ausência de detecção deste planetoide. Assim, os investigadores concluem que Sedna tem menos de 1800 km de diâmetro, pois, se fosse maior, o Spitzer teria detectado o seu calor.
 Um dos aspectos mais interessantes deste objeto é a sua órbita. Depois da descoberta de Sedna, em Novembro de 2003, os investigadores pesquisaram os arquivos de observações e conseguiram seguir Sedna até 2001. Na posse de observações que abrangem um intervalo de tempo de 3 anos, os astrónomos já conhecem razoavelmente bem a órbita deste planetoide e estimam que o seu periélio é 76±7 UA. A determinação da órbita de Sedna veio mostrar que é pouco provável que este planetoide seja um objeto da Cintura de Kuiper: a sua trajetória nunca o leva a essa região. A Cintura de Kuiper termina abruptamente a 50 UA do Sol e Sedna não se aproxima do Sol mais do que 76 UA. Mesmo os objetos da Cintura de Kuiper que chegam a grandes distâncias do Sol, comparáveis à distância a que Sedna alcança, têm periélios muito menores, a cerca de 35 UA.
A órbita de Sedna é extremamente elíptica, muito mais do que qualquer outro objeto do Sistema Solar, chegando a uma hipótese de que Sedna pertença à Nuvem de Oort. O facto de Sedna se encontrar 10 vezes mais perto do Sol do que a Nuvem de Oort (supostamente a meio caminho da estrela mais próxima do Sol) leva a equipe de investigadores a especular sobre a existência de uma Nuvem de Oort interior.

Orcus


Orcus foi observado pela primeira vez em 2004 e é ligeiramente menor que Plutão.
Este planeta anão pode um dia chegar à mesma designação UAI de Plutão, Makemake, Éris e Halmea um planeta anão plutoide.
Orcus e Plutão têm órbitas semelhantes, ambos possuem quase o mesmo afélio e periélio, e as duas órbitas tem a forma de elipses, cada elipse é inclinado em relação ao resto das elipses planetárias e tem quase o mesmo ângulo.
Orcus é como um anti-Plutão, no entanto, os dois objetos permanecem no Sistema Solar um de cada lado.

 Órbitas de Plutão e Orcus. Podemos ver como são identicas, porém com inclinações diferentes.


Quaoar



 Quaoar é um objecto transneptuniano localizado no Cinturão de Kuiper, a cerca de 6,5 bilhões de quilômetros da Terra.
O planetoide, medindo cerca de 1250 quilômetros de diâmetro, tem mais da metade do diâmetro do planeta anão Plutão e quase o mesmo tamanho de seu satélite, Caronte, que tem 1270 quilômetros de diâmetro.
Sua órbita é quase perfeitamente circular e está 1,6 bilhão de quilômetros além da órbita de Plutão. Quaoar leva 288 anos para dar uma volta em torno do Sol e possui um satélite conhecido, com diâmetro estimado em 100 quilômetros.
O nome é uma referência ao deus da criação na mitologia Tong vá, um povo nativo norte-americano.

 Órbita de Quaoar


Varuna
           
Este corpo celeste é o único dos quatro citados aqui que não é um planeta anão, Varuna é classificado como um dos maiores meteoros do Cinturão de Kuiper .
Foi descoberto por R. Macmillan, do projeto Spacewatch, em 28 de novembro de 2000 e, provisoriamente designado WR106 2000 antes de ser definitivamente nomeado como Varuna, deus que arquitetou a criação da Terra na mitologia hindu.
Ela se move em uma órbita quase circular com um semi-eixo maior de cerca de 43 UA, semelhante ao de Quaoar , porém mais inclinado.


Dados de Varuna:
  • Diâmetro: 936 km;
  • Densidade: ~ 1,0 g / cm 3 ;
  • Temperatura de superfície: ~ 43 K;
  • Periélio 40,92 UA;
  • Afélio: 45,34 UA;
  • Período orbital: 283,20 anos;
  • Inclinação 17,2 °.

Haumea - Achatado e Distante

Haumea, antes conhecido astronomicamente como 2003 EL61, é um planeta anão do tipo plutóide, localizado a 43,3 UA do Sol, ou seja um pouco mais de 43 vezes a distância da Terra ao Sol, em pleno Cinturão de Kuiper. Haumea possui dois pequenos satélites naturais, Hi’iaka e Namaka, que, acredita-se, sejam destroços que se separaram de Haumea devido a uma antiga colisão. Seus diâmetros variam entre 100 e 400 quilômetros, e suas distâncias ao planeta anão entre 9000 e 60000 quilômetros.. Haumea é um plutóide com características pouco comuns, tais como a rápida rotação, elongação extrema e albedo elevado devido a gelo de água cristalina na superfície. Pensa-se, também, tratar-se do maior membro de uma família de destroços criados num único evento destrutivo.
Apesar de ter sido descoberto em dezembro de 2004, só em 18 de setembro de 2008 é que se confirmou tratar-se de um planeta anão, recebendo então o nome da deusa havaiana do nascimento e fertilidade.


Dados Básicos:
  • Período orbital: 283,28 anos
  • Velocidade orbital média: 4,484 km/s
  • Inclinação: 28,19°
  • Número de Satélites: 2
  • Diâmetro equatorial: 1.600 km 
  • Massa: (4,2±0,1)×1021 kg
  • Gravidade equatorial: 2,4×10-12 m/s² g
  • Dia sideral: 3 h 54 m 55 s
  • Temperatura média: -223,2ºC
  • Periélio: 35,2 UA
  • Afélio: 51,5 UA
                                   

Água cristalizada no planeta-anão Haumea


Astrônomos europeus anunciaram a existência de água cristalizada no planeta-anão chamado Haumea. Porém Haumea permanece pouco estudado até hoje pelos cientistas. 
O pequeno planeta-anão está além da órbita de Netuno. O gelo cristalizado que cobre sua superfície é responsável pelo brilho do astro.

 

Uma Mancha misteriosa

 

 Uma enorme mancha escura vermelha detectada no planeta-anão deixa os astrônomos intrigados.

Uma área vermelha escura encontrada no planeta anão Haumea parece ser mais rica em minerais e componentes orgânicos que o resto de sua superfície congelada. Como Haumea é tão pequeno está tão longe este plutóide aparece nos telescópios como apenas um singelo ponto de luz, mas a mancha foi descoberta através das medições das mudanças no seu brilho durante seu rápido giro. As pequenas porém persistentes diferenças indicam que a mancha escura é mais avermelhada na luz visível e mais azulada nos comprimentos de onda na faixa do infravermelho.
A mancha poderia ter sido causada por impacto recente, mas os cientistas não estão seguros se os materiais investigados são do próprio Haumea ou do corpo que o impactou.
Como possíveis interpretações das mudanças na luminosidade de Haumea os cientistas podem deduzir as seguintes opções:
  1. A mancha é mais rica em minerais e compostos orgânicos que o resto de Haumea, ou;
  2. A mancha contém uma maior fração de gelo cristalino.

Satélites

            Haumea possui dois pequenos satélites naturais: Hiwaka e Namaka. Os seus
 diâmetros variam entre 100 e 400 quilómetros, e as suas distâncias ao planeta anão entre 9000 e 60000 quilómetros.

Haumea na Mitologia

 

 

Haumea é uma divindade primitiva do havaí, deusa do nascimentos e da fertilidade. Geralmente é identificada com Papa, uma antiga deusa mãe. Haumea pôde renascer constantemente, pelo que teve muitos filhos com seus próprios rebentos e descendentes. Também estava relacionada com os frutais sagrados, que produziam frutas segundo a sua vontade. E com sua varinha mágica ela povoava as águas que rodeiam as ilhas havaianas com grandes cardumes de peixes.

domingo, 9 de outubro de 2011

Makemake - Um presente de Páscoa



Makemake, formalmente designado como (136472) Makemake, é o terceiro maior planeta anão do Sistema Solar e um dos dois maiores corpos do cinturão de Kuiper na população dos KBOs clássicos. Seu diâmetro é de cerca de três-quartos o de Plutão. Não possui satélites conhecidos, o que o torna único entre os corpos maiores do cinturão de Kuiper. Sua superfície é coberta por metano, etano, e possivelmente, nitrogênio, devido à sua baixíssima temperatura média de cerca de 30 K (-243,2 °C).
De início conhecido como 2005 FY9 e depois com o código de planeta menor 136472. Seu nome deriva da deusa rapanui Makemake. Em 11 de Julho de 2008, um grupo de trabalho sobre nomenclatura planetária da UAI anunciou a inclusão de Makemake na classe dos plutoides, fazendo ele oficialmente um planeta anão e um plutoide, ao lado de Plutão, Éris e Haumea.


Dados Básicos
  • Período orbital: 113.183 d (309,88 anos)
  • Velocidade orbital média:4,419 km/s
  • Inclinação: 28,96°
  • Diâmetro equatorial: 1.600 ± 300 km
  • Área da superfície: ~ 7.000.000 km²
  • Volume: ~ 1,8×109 km³
  • Massa: ~ 4×1021 kg
  • Densidade média:~2 g/cm³
  • Gravidade equatorial: ~0,05 g
  • Dia sideral: 7 h 46 m 16 s
  • Temperatura média: −243 ºC
  • Afélio: 53 UA
  • Periélio: 38,5 UA

Descoberta

Makemake foi descoberto em 31 de março de 2005 por um grupo liderado por Michael Brown no Observatório Palomar, e foi anunciado ao público em 29 de julho de 2005. A descoberta de Éris foi publicada no mesmo dia, dois dias depois da descoberta de Haumea.

 Apesar de seu brilho relativo (que é de cerca um quinto a mais do que o brilho de Plutão), Makemake foi descoberto bem depois de outros objetos do Cinturão de Kuiper com um brilho menor do que o dele. A maioria das buscas por planetas menores foram feitas relativamente perto da eclíptica (a região do céu em que o Sol, a Lua e os outros planetas parecem estar, vistos da Terra), devido à maior probabilidade de encontrar objetos lá. É provável que Makemake escapou da primeira pesquisa por causa de sua alta inclinação, e o fato de que ele estava na maior distância da eclíptica possível em sua descoberta, no norte da constelação de Coma Berenices.
Ao lado de Plutão, Makemake é o único outro planeta anão que é brilhante o suficiente para que Clyde Tombaugh pudesse ter descoberto durante sua busca por planetas transnetunianos em 1930. Na época de pesquisa de Tombaugh, Makemake estava a apenas poucos graus da eclíptica, perto da borda de Taurus e Auriga. Porém essa posição ficava muito perto da Via Láctea, e a detectação de Makemake ficaria quase impossível com o fundo cheio de estrelas. Tombaugh continou a procurar por objeto transnetunianos por alguns anos após a descoberta de Plutão, mas não conseguiu encontrar Makemake ou outros objetos.

Características Físicas

Makemake é o segundo objecto mais brilhante do cinturão de Kuiper, logo a seguir a Plutão, tendo uma magnitude aparente de 16,7. Isso é suficientemente brilhante para ser visto com um telescópio amador. O alto albedo de Makemake de quase 80% sugere uma temperatura de cerca de -243,2 °C. O tamanho de Makemake não é conhecido precisamente, embora a detecção em infavermelho do Telescópio Spitzer, combinados com as semelhanças de espectro com Plutão, sugerem um diâmetro de 1500 ± 200 km. Isso é um pouco maior que Haumea, fazendo Makemake o terceiro maior transneptuniano, perdendo apenas para Plutão e Éris. Actualmente Makemake é designado o quarto planeta anão no sistema solar. Isso praticamente garante que ele é suficientemente grande para alcançar o equilíbrio hidrostático e tornar-se um esferóide oblato.
A análise espectral da superfície de Makemake revelou que o metano deve estar presente na forma de grandes grãos, de pelo menos, um centímetro de tamanho cada. Além disso, grandes quantidades de etano e tolina podem estar presentes, muito provavelmente criados por fotólise de metano pela radiação solar. As tolinas provavelmente são responsáveis pela cor vermelha do espectro visível. Embora existam evidências da presença de nitrogênio na sua superfície, em nenhum lugar do planeta há o mesmo nível de nitrogénio que há em Plutão e em Tritão, que constitue 98% da crosta. A relativa falta de nitrogénio sugere que o fornecimento de nitrogénio acabou de algum modo durante a vida do sistema solar.
A presença de metano e possivelmente nitrogénio sugerem que Makemake pode ter uma atmosfera transitória, semelhante à de Plutão perto de seu periélio. O nitrogénio, se presente, será o principal componente dela. A existência de uma atmosfera também proporciona uma explicação natural para o esgotamento de nitrogénio: uma vez que a gravidade de Makemake é mais fraca do que a de Plutão, Éris e Tritão, uma granda quantidade de nitrogénio provavelmente foi perdida por causa do escape atmosférico; o metano é mais leve que o nitrogénio, mas tem uma pressão de vapor significativamente menor que as temperaturas registradas em Makemake (variam entre -243,2 °C a -238,2 °C), o que impede sua fuga, e o resultado deste processo é uma abundância de metano.

Satélites

Nenhum satélite foi descoberto orbitando Makemake ainda. Um satélite tendo um brilho de 1% do corpo principal teria sido detectado se estivesse a uma distância de 0,4 segundos de arco de Makemake. Isso contrasta com os outros grandes objetos transnetunianos, que possuem pelo menos um satélite: Éris tem um, Haumea tem dois e Plutão tem três. Acredita-se que cerca de 10% a 20% de todos os objetos transnetunianos têm satélites. Sendo que os satélites oferecem um simples método para medir a massa de um objeto, a falta de satélites em Makemake deixa difícil saber sua massa exata.

Nome e Mitologia

Makemake, anteriormente conhecido como 2005 FY9, é o primeiro planeta anão a receber um nome desde 2006, quando o seu vizinho gelado 2003 UB313 ganhou o nome de Éris, a deusa Grega da discórdia. 
O nome Makemake pertence ao deus que criou a Humanidade e o deus da fertilidade na cultura mitológica de Rapa Nui, da Ilha da Páscoa. O nome foi proposto por Mike Brown, Chad Trujillo e David Rainowitz, o time da Caltech que descobriu Makemake, em 31 de março de 2005, pouco antes das festividades da Páscoa. Makemake é o quarto planeta-anão no sistema Solar e o terceiro plutóide (o planeta-anão Ceres não é considerado um plutóide, pois está fora do cinturão de Kuiper). Makemake é hoje o segundo KBO (objeto do cinturão de Kuiper) mais brilhante no céu, após Plutão, com uma magnitude aparente calculada em +16,7. Makemake é atualmente visível na constelação de Coma Berenices, mas apenas telescópios amadores de alta-performance conseguem vê-lo.

Éris - O promovedor da discórdia


Dados Básicos:

Características orbitais:
  • Semi-eixo maior: 67,668 
  • Periélio: 37,77 UA  
  • Afélio: 97,56 UA 
  • Excentricidade: 0,441 77 
  • Translação: 203 500 d (557 a) 
  • Velocidade orbital média: 3,436 km/s 
  • Inclinação: 44,187°  
  • Nº de Satélites: 1
 Características físicas:
  • Diâmetro equatorial: 3094 km 
  • Dia sideral: > 8 h ? 
  • Temperatura: -248ºC a -232ºC
*Há muitos dados a serem recolhidos do planeta anão, pois com sua distante localização ainda não temos acesso a todos eles.

Planeta Anão- Éris

Éris é um planeta anão que se encontra nos confins do nosso sistema solar. Foi descoberto em 2005 por astrônomos profissionais que estão examinando imagens obtidas no Observatório Palomar, na Califórnia, dois anos antes.
Como um planeta anão que satisfaz a maioria dos critérios para ser um planeta com a ressalva de que ele não tem a força gravitacional, devido ao seu tamanho, para abrir espaço ao seu redor de outros corpos celestes.
O planeta anão foi anteriormente conhecido como UBU 313 e apelidado de Xena. A União Astronômica Internacional (IAU), que é responsável por nomear e classificar os planetas, alterou posteriormente o nome para o atual.
Éris tem um diâmetro de 2.400 km, que é ligeiramente maior que Plutão. Em comparação com o diâmetro da Terra é de 12, 742 km. Nem planetas ou planetas anões são esferas perfeitas que esta não é a forma ideal para medir o seu tamanho, mas é um indicador fiável.
É preciso Éris quase 557 anos para orbitar o Sol e encontra-se a 97 UA da estrela (no afélio). Ele tem uma incomum órbita, excêntrica, o que significa que, em seu periélio Éris está apenas 38 UA do sol. Então, algumas vezes se encontra mais perto de nós (e do Sol) que Plutão.
Por ser tão distante de nós, não podemos observar Éris a olho nu, binóculos ou mesmo da mesma maneira como você pode ver planetas como Marte ou Júpiter. Você vai precisar de um poderoso telescópio e muito ter muita experiência em astronomia amadora para visualizá-lo.

 Órbita elíptica de Éris


Geologia


Éris é o maior corpo celeste conhecido  para além da órbita de Neptuno, logo, maior que Plutão. Tal como Plutão, é composto de uma mistura sólida de gelo e rocha.
Ambos podem ser vistos como objetos do cinturão de Kuiper ou como planetas gelados, apesar de Éris ser do tipo disperso, ou seja, terá sido formado na parte interior do cinturão, mas atirado para uma órbita mais distante devido a uma possível influência gravitacional de Netuno.
O albedo de Éris não é totalmente conhecido e o seu tamanho real não pode ser determinado. Contudo, os astronômos calcularam que, numa oposição extrema,  Éris refletindo toda a luz que recebe, seria mesmo assim maior que Plutão (2390 km).
Para ajudar a determinar melhor a dimensão deste objecto celeste, foram feitas análises preliminares com recurso a observações feitas com telescópios espaciais: o Spitzer e o Hubble. O primeiro telescópio indicou que Éris seria 20% maior que Plutão (2274 km); o segundo indicou que seria apenas 1% maior indicando um albedo extraordinariamente elevado.
Em Fevereiro de 2006, um artigo da revista Nature da autoria de um grupo de cientistas alemães indicou que Éris tem 3000 km ±300km ±100km, ou seja, algo do tamanho da Lua e 30% maior que Plutão. Para determinar o diâmetro, o grupo usou observações da emissão térmica de Éris. A primeira margem de erro tem em atenção os erros de medida, e a segunda devido a velocidade de rotação e a orientação do astro serem desconhecidas.
Estes cientistas determinaram que o albedo é muito semelhante ao de Plutão, ou seja, é de 0,60 ± 0,10 ± 0,05. Sugerindo que o metano permite que a superfície gelada seja bastante refletora.
Éris parece ser algo análogo a Plutão e a Tritão (a grande lua de Neptuno) devido à presença de gelo de metano.
Ao contrário do aspecto avermelhado de Plutão e Tritão, o planetóide Éris parece ser cinzento. Isto parece ser devido à enorme distância de Éris em relação ao Sol o que permite que o metano condense, cobrindo uniformemente toda a superfície.
O metano é muito volátil e a sua presença mostra que Éris se manteve sempre nos confins do sistema solar, ou seja, sempre foi um mundo extremamente frio levando a que o gelo de metano subsistisse. Ou, talvez, desfrute de uma fonte interna de metano que liberte o gás para a atmosfera; note-se que 2003 EL61, um outro corpo celeste da mesma zona do sistema solar, revelou a presença de gelo de água, mas não de metano.
Dados não oficiais com recurso às observações do telescópio Hubble indicaram que Éris teria um albedo elevado, sugerindo que a superfície é composta de gelo fresco.

 Éris é o maior objeto transnetuniano, acima comparação do planeta anão com Plutão.

 

Atmosfera e clima


Apesar de Éris se encontrar cerca de três vezes mais afastado do Sol que Plutão, chega a estar suficientemente perto do Sol para que parte da superfície se descongele e forme uma fina atmosfera; no entanto não se sabe se isto acontece realmente.
Devido a sua órbita que se aproxima até 37,8 UA do Sol e se distancia até 97,61 UA, as temperaturas devem variar entre -232 e  -248 graus centígrados.
Éris está tão afastado do Sol que este último, nos céus daquele mundo, deverá aparecer apenas como uma estrela brilhante.

Satélite

A lua de Éris, Disnomia, foi descoberta a 10 de Setembro de 2005. Estima-se que Disnomia seja oito vezes menor e sessenta vezes menos brilhante que Éris e que orbite esse último em cerca de quatorze dias.


O sistema Éris-Disnomia parece semelhante ao sistema Terra-Lua. Apesar das dimensões mais reduzidas dos dois objetos, o satélite de Éris está dez vezes mais próximo do planeta que orbita que a Lua da Terra apesar de ser oito vezes menor que a nossa lua.
Disnomia é o satélite natural de Éris. O nome significa "desordem" em grego (no original, Δυσνομία dysnomia), uma referência à entidade mitológica que, segundo Hesíodo, era filha de Éris, a Discórdia.
Em 2005, uma equipe nos telescópios Keck no, Hawaí, fez observações aos quatro corpos celestes transneptunianos mais brilhantes (Plutão, 2005 FY9, 2003 EL61 e Éris) usando um novo sistema óptico. Em 10 de Setembro, as observações revelaram uma lua orbitando Éris. Na altura da descoberta, Éris não tinha nome e era conhecida, popularmente, como Xena, assim a lua ganhou o apelido de Gabrielle pelos seus descobridores, a companheira de Xena na série de TV Xena, A Princesa Guerreira.
Formalmente em setembro de 2006 foram definidos os nomes oficiais de Éris - Planeta Anão e Disnomia - satélite de Éris.
Os astronômos sabem que três dos quatro mais brilhantes objectos transnetunianos possuem satélites, enquanto que cerca de 10% dos membros mais tênues da faixa terão satélites, o que leva a acreditar que colisões entre grandes corpos celestes transnetunianos tenham sido frequentes no passado. Impactos entre corpos da ordem dos 1000 km de diâmetro espalhariam grandes quantidades de material que se aglomerariam numa lua. Um mecanismo semelhante formou a Lua da Terra.

Mitologia

Éris era a deusa da discórdia. O planeta foi chamado assim porque a sua descoberta lançou a discórdia entre os astrônomos quanto à definição de um planeta e causou, indiretamente, a descida de estatuto de Plutão de "planeta" para "planeta anão". Na mitologia grega é famosa por ter causado, indiretamente, a Guerra de Tróia. Era também conhecida por acompanhar o seu irmão Ares (Marte) para o campo de batalha e, quando os outros deuses iam embora, ela ficava rejubilando-se da carnificina.
Antes de receber o nome tinha a designação provisória de 2003 UB313, que é uma matrícula atribuída automaticamente de acordo com o protocolo da União Astronômica Internacional (UAI) para os planetas menores. No entanto, a probabilidade de que esse corpo celeste fosse classificado como um planeta levou a que a UAI não autorizasse nenhum nome, dado que não era claro se seria classificado como um planeta principal ou não. Caso fosse, a UAI só aprovaria nomes da tradição greco-romana, tal como acontece com todos os outros planetas do Sistema Solar. A indecisão levou a que o nome "Xena" (uma suposta personagem da mitologia grega) fosse adotado popularmente como alcunha; essa suposta personagem mitológica foi criada especialmente para a série televisiva Xena, A Princesa Guerreira. Um dos nomes mais sugeridos para Éris era o de Perséfone (a Proserpina romana), mulher de Plutão.

Cinturão de Kuiper - O que temos depois de Netuno!?


Na visão tradicional, o Sistema Solar é formado pelo Sol, os planetas e um cinturão de asteroides, composto por objetos menores, a grande maioria com formas irregulares, e todos situados entre as órbitas de Marte e Júpiter.
Esse modelo ignora a presença dos cometas e dos asteroides cujas trajetórias passam por entre as órbitas de vários planetas – mas até que seria aceitável, não tivéssemos hoje uma visão um tanto mais sofisticada, onde o “velho” cinturão de asteroides há muito deixou de ser o único.


Oort e Kuiper

Em 1950 0 astrônomo alemão Jan Oort formulou a hipótese de que os cometas seriam originários de uma vasta região que circunda o Sol, uma espécie de nuvem em forma de concha, a cerca de cinquenta mil vezes mais afastada que a Terra, em relação ao Sol.
Um ano mais tarde o astrônomo de origem holandesa Gerard Kuiper sugeriu que alguns desses objetos, tipicamente asteroides, deveriam se concentrar numa faixa contínua localizada nos limites do Sistema Solar.

Gerard Kuiper

Essa hipótese foi reforçada pela constatação de que existem populações separadas de cometas (chamadas "famílias de Júpiter") com indivíduos bastante distintos daqueles provenientes da nuvem de Oort.
Eles se movem em volta do Sol em cerca de 20 anos ou menos, contra os milhares ou mesmo milhões de anos de um cometa de Oort, além disso, percorrem suas trajetórias no mesmo sentido e quase no mesmo plano orbital dos planetas.
Finalmente, simulações em computador no início dos anos 80 previram a formação natural do cinturão de asteroides proposto por Kuiper. De acordo com este cenário, os planetas teriam se formado ao redor do Sol a partir da aglomeração de diversos elementos primordiais (os chamados protoplanetas), sendo que os resíduos não aproveitados neste processo foram gradualmente varridos da vizinhança da estrela.
Porém, além da órbita de Netuno, o último planeta gigante, ainda deveria haver uma espécie de depósito desses entulhos planetários.

Uma nova visão

A constatação veio em 1992, com a descoberta de um objeto chamado 1992QB1, com 240 km de diâmetro e à distância prevista por Kuiper. Logo foram encontrados diversos outros asteroides com dimensões similares, confirmando que o cinturão de Kuiper era real.
Dois satélites de Netuno, Nereida e Tritão, e Febe, uma lua de Saturno, por suas características orbitais incomuns são hoje considerados objetos do cinturão de Kuiper, capturados pela força gravitacional dos planetas a que agora pertencem.
Hoje existem mais de 600 objetos conhecidos no cinturão de Kuiper, todos descobertos após 1992. Entre eles está Plutão, que agora pertence à categoria dos planetas anões, Éris (que é maior que Plutão), também Varuna (com 900 km de diâmetro) e Quaoar (com 1.250 km), além de diversos outros objetos. Já Sedna, descoberto em 2003, tem praticamente toda sua órbita fora dessa região, indo até o limite inferior da nuvem de Oort.


 
Plutoides

            A União Astronômica Internacional decidiu que os pequenos corpos celestes semelhantes a Plutão, pequenos demais para serem chamados de planetas, deverão ser classificados como plutóides.
Plutóides são corpos celestiais em órbita ao redor do Sol a uma distância maior do que a de Netuno, que têm massa suficiente para que sua auto gravidade supere as forças rígidas de seu material formador, de forma que eles assumam um formato com equilíbrio hidrostático (quase esférico), e que não tenham destruído outros corpos ao redor de sua órbita.

Os cinco plutoides reconhecidos pela UAI.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Plutão e Caronte - Os Guardiões do Submundo

        Já nos confins do Sistema Solar chegamos a Plutão, que até a pouco tempo era considerado o último planeta deste sistema planetário.

 Dados Básicos:
  • Distância média do Sol: 5,9 bilhões de km 
  • Temperatura média da superfície: -230ºC
  • Diâmetro: 2320 km
  • Rotação: 6,3 dias terrestres
  • Translação: 248,4 anos terrestres
  • Satélites: até pouco tempo acreditava-se que Caronte era seu satélite, porem atualmente uma corrente astronômica considera Plutão e Caronte planetas anões duplos. Nix e Hydra, descobertos em 2005, são os satélites do suposto sistema planeta anão duplo.
 Tão longe, Tão Pequeno:
            A existência de Plutão foi prevista 16 anos antes de sua descoberta. Em 1914, o astrônomo norte-americano Percival Lowell achava que as perturbações provocadas por Júpiter e Saturno não explicavam algumas irregularidades nas órbitas de Urano e Netuno. Lowell concluiu acertadamente que poderia existir outro planeta no Sistema Solar, mas morreu em 1916 sem conseguir comprovar sua hipótese. A honra pela descoberta do nono planeta (na época, e até 2009, Plutão era considerado mais um planeta) coube, em 1930, o também norte-americano Clyde William Tombaugh.
            O período em que Plutão ficou mais próximo do Sol do que Netuno proporcionou aos cientistas uma grande oportunidade de estudar o longínquo planeta.
            A similaridade com Tritão, uma das luas de Netuno, leva alguns astrônomos a acreditar que Plutão possa ter sido, em uma época remota, um satélite de Netuno – por alguma razão, teria escapado de sua atração gravitacional. A enorme distância da Terra e a dificuldade de observa-lo fizeram com que recebesse o nome do deus romano do inferno e das profundezas terrestres.
O Sol é só mais uma estrela, visto de Plutão. Também na imagem estão Caronte e Hidra.

Rocha, Gelo e uma órbita anormal:
            Plutão tem apenas 2320 km de diâmetro. Ele leva quase 250 anos para dar uma volta em torno da estrela central e sua órbita, extremamente elíptica, faz com que ele fique mais próximo ao Sol do que Netuno por um período de 20 anos. Em 1989, o planetoide chegou mais próximo do Sol, a 4,4 bilhões de km. Quando mais distante, pode ficar a 7,4 bilhões de km.  Já seu período de rotação é de 6,3 dias e a mesma apresenta-se de maneira acêntrica, pois seu centro gravitacional é um ponto médio entre o planetoide e Caronte, que assim, obviamente, tem o mesmo período rotacional.
  
Órbita anormal de Plutão comparada a de Netuno

            A temperatura média do planeta é de -230ºC. E acredita-se que a composição de Plutão seja uma mistura de gelo e rocha, enquanto sua superfície é provavelmente composta por uma camada de gelo de metano, nitrogênio e dióxido de carbono.
 Teorica superficie de Plutão, com Caronte e Sol ao fundo

Exploração:
            Até hoje nenhuma sonda espacial chegou perto de Plutão e Caronte, por isso suas características são baseadas em observações telescopias, aprofundadas a partir da década de 1970. As imagens mais importantes do planeta foram captadas pelo telescópio espacial Hubble.
            Em janeiro de 2006, após algum tempo de negociações econômicas a sonda New Horizons foi lançada com sucesso em 19 de janeiro de 2006. O líder da missão, Alan Stern, confirmou que algumas das cinzas de Clyde Tombaugh, que morreu em 1997, foram colocadas a bordo dela.
No início de 2007, a sonda usou gravidade assistida de Júpiter. Sua maior aproximação de Plutão vai ocorrer em 14 de julho de 2015. Observações científicas vão começar cinco meses da aproximação máxima, e vão continuar por pelo menos um mês depois dela.
Sonda New Horizons orbitando Plutão, fato que ocorrerá somente em 2015

Sistema Planetoide Plutão-Caronte:
Caronte é a lua conhecida que possui a maior dimensão quando comparada com a do seu planeta principal. Possui cerca de metade do diâmetro de Plutão e cerca de um oitavo da sua massa. As novas observações vêm colocar o diâmetro de Caronte entre os 1,207 e os 1,212 quilómetros.
Caronte é 1.71 vezes mais denso que a água, o que sugere que a sua composição é cerca de 50% rochosa. Tem, no entanto, cerca de menos 10% por unidade de massa de material rochoso que Plutão.
Ironicamente, a densidade de Caronte passou agora a ser conhecida com maior precisão que a densidade de Plutão.
Para medir Caronte, os astrónomos usaram três telescópios para observar uma ocultação na qual Caronte eclipsou uma estrela de fundo durante cerca de um minuto. Até agora, apenas tinha sido possível uma observação destes acontecimentos relativamente raros.
Sabe-se que Plutão tem uma atmosfera, precisamente a partir de outras observações de ocultações. No caso de Caronte, se possui alguma a sua pressão deverá ser menos de um sexto de milionésimo da pressão à superfície da Terra, o que significa menos de um centésimo da pressão à superfície de Plutão.
"Comparando Plutão e Caronte, parecemos cruzar uma fronteira ténue entre um planeta que poderá ter atmosfera e outro que não a terá," disse Olivier Hainaut do Observatório Europeu do Sul (ESO).
 Plutão e Caronte.

A teoria mais aceite para a formação do sistema Plutão, Caronte e das duas luas recentemente descobertas é que um objeto terá colidido com outro e o sistema resultou da coalescência dos restos.
Amanda Gulbis, investigadora do MIT, que é a primeira autora de um dos artigos apresentados sobre esta investigação que foi descrita detalhadamente na revista Nature de 5 de Janeiro de 2006 referiu que "as nossas observações mostram que não existe uma atmosfera substancial em Caronte, o que é consistente com este cenário de formação. Eu diria que Caronte não pode definitivamente ser considerado um planeta principal ".
Os astrônomos atualmente continuam a observar Plutão e Caronte para identificar se o que há é um sistema duplo de planetas anões ou um planetoide e seu satélite.
           
Demais satélites:
            Duas luas de Plutão adicionais foram fotografadas pelo Telescópio Espacial Hubble em 15 de maio de 2005, que receberam as designações provisórias S/2005 P 1 e S/2005 P 2. A União Astronômica Internacional nomeou oficialmente essas luas de Nix e Hidra em 21 de julho de 2006.
Essas pequenas luas orbitam Plutão a aproximadamente duas e três vezes, respectivamente, a distância de Plutão a Caronte: Nix a 48 700 km e Hidra a 64 800 km do baricentro do sistema. Elas têm órbitas prógradas quase circulares que estão no mesmo plano orbital de Caronte e estão bem perto de uma ressonância orbital 4:1 e 6:1 com Caronte.

 Porque Plutão não é mais um planeta?
De fato Plutão não é mais considerado um planeta, ele agora pertence a uma categoria denominada "Planeta Anão". Para entender porque isto aconteceu vamos contar um pouquinho de história:
Em 1930 o astrônomo americano Clyde Tombaugh descobriu um corpo no céu, era apenas um pequeno ponto, mas ao calcular a sua órbita percebeu que ele tinha uma órbita mais afastada que Netuno, seria o nono planeta, este corpo celeste foi batizado de Plutão. No início chegou-se a estimar que Plutão poderia ser maior que o planeta Terra, mas medições posteriores mostraram que ele na verdade seria bem menor que a nossa Lua. Já nos anos 70 alguns astrônomos começaram a propor a idéia de que Plutão não seria de fato um planeta, pois além de pequeno e pouco massivo, sua órbita era muito achatada e inclinada em comparação aos outros planetas.
Mas no fim da década foi descoberta um satélite de Plutão, que foi batizado de Caronte, o que dava argumentos para os defensores de Plutão como um planeta. Apenas na década de 1990 foi descoberto outro objeto trans-netuniano. Mas nos anos seguintes com a construção de telescópios avançados, o número destes objetos cresceu rapidamente, e alguns deles eram quase tão grandes quanto Plutão (Sedna, Varuna, Quaoar, etc.). Então em 2005 foi divulgado que um destes objetos, posteriormente batizado de Eris era maior que Plutão.
Então chegou-se a um impasse: Se Plutão era um planeta, Eris (que é maior) também deveria ser. Finalmente em 2006 houve uma reunião da IAU (União internacional da astronomia) e em uma votação histórica a assembéia da IAU decidiu que Plutão deixaria de ser um planeta. Ele, Ceres e Eris foram denominados planetas anões.

Como um comentário vale acrescentar o seguinte: Se Plutão fosse descoberto hoje ele nunca seria classificado como planeta. A descoberta de Tombaugh foi um feito incrível, demoraram mais de 60 anos para outro objeto celeste ser descoberto nas mesmas circunstâncias. Plutão é pequeno demais e leve demais para ser um planeta.

Curiosidades sobre Plutão:
  •  Na época da descoberta de Plutão foram sugeridos vários nomes, como Cronos ou Minerva. Mas quem sugeriu Plutão foi uma garotinha inglesa de onze anos chamada Venetia Phair, que se interessava tanto por mitologia quanto por astronomia.
  • Plutão foi considerado um planeta do Sistema Solar de 1930 a 2006, quando a União Astronômica Internacional decidiu incluí-lo numa nova categoria de objetos, os planetas anões, da qual também fazem parte Ceres (maior asteróide do cinturão principal) e Éris.
  • Visto de Plutão, o Sol é apenas a estrela mais brilhante entre todas as outras do céu. Acredita-se que um dia ensolarado nesse mundo é o mesmo que uma noite pálida de luar na Terra.
  • Estima-se que a temperatura na superfície de Plutão atinja os inconcebíveis 230°C negativos. Frio o bastante para que sua própria atmosfera congele, reaparecendo somente quando o planeta atinge o periélio, o ponto de maior aproximação com o Sol, que ocorre aos 4,42 bilhões de quilômetros do astro-rei.
  • Estudos indicam Nix e Hidra se originaram do formidável impacto que criou Caronte, há bilhões de anos. Isso sugere que outros objetos do Cinturão de Kuiper também poderiam abrigar satélites múltiplos – e o próprio Plutão teria anéis de matéria fragmentada. Nada mais que escombros lançados da superfície das minúsculas luas.
  • Plutão e suas luas são membros do Cinturão de Kuiper, um grupo de objetos situados entre 5 e 8 bilhões de quilômetros do Sol. A maioria deles são pequenos asteróides. Éris e Plutão são planetas anões.
  • Se as medidas estiverem corretas, o período de rotação de Caronte coincide com a rotação de Plutão: um caso único no Sistema Solar. Caronte seria um satélite geoestacionário de Plutão.

Fontes: Astronomia no Zênite; Astronomia Online; IYA2009; Wiki; Atlas do Universo
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